Nossos companheiros evangélicos não perdem qualquer ensejo de combaterem do Espiritismo a prática da comunicação com os seres invisíveis. Na visão desses companheiros, todo espírito que venha entrar em contato com os homens, seja através de um médium, oralmente ou pela escrita, seja por meio de uma aparição espontânea, com ou sem a articulação de palavras, trata-se de um demônio, isto é, um espírito maligno e enganador. Não importa o que esses espíritos digam, mesmo que transmitam bons conselhos, que falem de amor ao próximo e de paz, só podem ser entidades do mal, que usam de falsa bondade e mansuetude para melhor iludirem os incautos. Para eles, os anjos, que seriam Espíritos do bem, não podem mais se manifestar ao homens como faziam antigamente, nos primeiros dias do Cristianismo. E, a julgar dos relatos apostólicos, assim como dos livros mais antigos, dos profetas e reis, esse intercâmbio entre anjos e humanos era frequente e muito profícuo. Hoje, ao que parece, só os Espíritos do mal têm a capacidade e/ou a permissão para se fazerem vistos e/ou ouvidos por nós. Isto quando o falsário não é o próprio suposto mediador humano, o médium, que consegue ludibriar os mais crentes com pseudo-manifestações, em que nenhuma entidade espiritual se acha de fato presente.
Nós, espíritas, estudiosos e não apenas praticantes da mediunidade, estamos cônscios da existência de variadas categorias de Espíritos, no que tange às suas qualidades morais e intelectuais, que tanto podem ser portadores de verdadeira como de uma pseudo-sapiência, o que nos deixa sempre em alerta, diante dos variados tipos de mensagens que nos chegam do Além, prontos a analisá-las com critério e sabedoria, para não nos deixarmos vitimar por um provável engodo.
Allan Kardec, em seu "Livro dos Médiuns", nos dá um panorama geral e rico em detalhes acerca dessas diferentes qualidades que os Espíritos não podem deixar de demonstrar-se portadores, pelo teor mesmo de suas mensagens escritas ou faladas.
É pena que esses nossos irmãos nos ideais cristãos não consigam perceber, no seu trato tão intenso com os textos da Bíblia, a que valorizam tanto, que os apóstolos daqueles primeiros dias de propagação do Evangelho de Jesus mantinham franca comunicação com os mesmos Espíritos que ora recebemos em nossas reuniões de estudo prático da mediunidade a serviço do bem. Sim, os apóstolos entretinham contatos frequentes e diretos com a Espiritualidade, ao ponto de serem advertidos pelo missivista João, em sua primeira epístola universal (capítulo 4, v. 1): "Amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes provai os espíritos se procedem de Deus (...)". Ora, se só os maus Espíritos pudessem se comunicar com os homens, onde estaria a lógica e a necessidade da advertência visando o discernimento dos mesmos? Querem maior testemunho do que este de que ambas as possibilidades coexistem na base da comunicabilidade entre os dois mundos (visível e invisível)?
Se isto não é o bastante, recorramos à palavra do próprio Mestre dos mestres, que é enfática ao asseverar que "pelos frutos se conhece a árvore", complementando a ideia com absoluta precisão, dizendo que "não se pode colher bons frutos de uma árvore má", ou, noutra versão, que "não se colhem figos dos abrolhos".
De suas comunicações, pois, podemos reconhecer a qualidade moral e, por extensão, a procedência do Espírito manifestante.
Certamente, a lisura do médium também é um bom indicativo acerca dos Espíritos que usam de sua faculdade, posto que deva existir uma sintonia perfeita e uma afinidade de sentimentos e propósitos entre um e outros.
De mais para menos, é preciso ainda que os companheiros leigos no assunto saibam que em nossas sessões mediúnicas, ordinariamente, o número de Espíritos que adentram o recinto para receberem orientação doutrinária é bem maior do que a dos que nos vêm transmitir instruções. Estes, por sinal, o que fazem, na grande maioria das vezes em que se manifestam, é exortarem os trabalhadores e aprendizes ao exercício efetivo da Doutrina, conforme já está estabelecida desde a sua codificação, reiterando-nos de que a teoria sem a prática nenhum valor possui. ///
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