quinta-feira, 24 de julho de 2014

6. O ESPÍRITO CONSOLADOR

       Muitos pastores e sacerdotes, em suas pregações entusiásticas, aludem à presença do Espírito Santo, ou Espírito de Deus, em suas igrejas, em seus cultos, atribuindo a Este a inspiração e a orientação das obras realizadas através do seu ministério, assim como a atuação na vida dos fiéis sinceros e verdadeiramente convertidos.
       Raros são os evangelizadores que acentuam o caráter Consolador do Espírito Santo, com o qual Jesus o teria anunciado, dizendo que, com este fim, Ele nos seria enviado e permaneceria para sempre entre nós. A maioria prefere vislumbrá-lo como um agente de feitos milagrosos, tais como: curas de doenças graves e complicadas para a medicina tradicional; libertação de vícios e de demônios; promoção de grandes sucessos no âmbito da prosperidade financeira; sem contar a intuição sistemática dada àqueles que desejam exercer o ministério da Palavra, com sugestões de campanhas maravilhosas, que os ajudam a "pescar mais e mais almas para Cristo".
       Normalmente, atribui-se ao Espírito Santo o poder da Terceira Pessoa da Trindade Divina. Como tal, é Ele o executor da Vontade de Deus-Pai, sob uma espécie de supervisão direta e comunhão integral com o Deus-Filho, Jesus Cristo. É o que se depreende de muitas alusões feitas a esse Espírito por grandes pregadores da Palavra de Deus. Alguns deles, também célebres escritores, afirmam que o Espírito Santo é uma Personalidade, uma Individualidade, com qualidades próprias, como "conhecimento, sentimento e vontade" (Ver R. R. Soares, em "Espiritismo - A Magia do Engano").
       Nós, espíritas, compreendemos o Espírito Santo, de cuja existência real a Bíblia dá ideia bastante clara e fortes indícios, como sendo o Novo Consolador, conforme nos foi prometido por Jesus, registro feito pelos quatro evangelistas bíblicos. Segundo uma das passagens mais conhecidas de todos os cristãos, Jesus afirma que Ele, o Novo Consolador, ser-nos-ia enviado em Seu Nome, com a missão de nos ensinar "todas as coisas" e nos fazer relembrar os Seus ensinamentos, com toda a pureza e os verdadeiros significados com que Ele mesmo no-los transmitiu quando de sua presença entre nós, há cerca de dois mil anos. Nessa ocasião, o Cristo asseverou que ainda teria muito para nos dizer (informar-nos), certamente acerca de coisas espirituais mais profundas, mas que não estávamos preparados para recebê-las e compreendê-las, com a devida e necessária clareza. Ora, bem se vê que muitos dos ensinamentos efetivamente deixados sob a nossa guarda perderam-se nos labirintos dos interesses materialistas, ou foram deturpados para se acomodarem às circunstâncias do poder temporal de grupos religiosos dominadores.
       Mas, depois de alguns séculos de obscuridade, eis que o Espírito de Deus se acerca novamente da massa humana, aflita e deserdada da fé raciocinada, para conduzi-la de novo ao conhecimento da Verdade libertadora. 
       Para nós, todavia, este Espírito não se apresenta como uma Pessoa, um único Ser espiritual, mas, como Ele próprio nos há informado, trata-se de uma plêiade de Espíritos, um grande exército de trabalhadores da Seara do Mestre Jesus, Este o Guia e Modelo da Humanidade, e que veio, sim, para ficar conosco e nos guiar na direção do Bem e do progresso coletivo, intelectual e moralmente.
       Seus ensinamentos e suas informações acerca da vida eterna, da imortalidade das almas, vêm, assim, consolar-nos em nossas aflições e dificuldades, libertar-nos de dúvidas e inseguranças, aliviar-nos os sofrimentos, enfim, pelo esclarecimento que nos trazem e pelas vibrações de paz e de equilíbrio que nos enviam.
       Esses ensinamentos espalham-se pelo mundo, através de uma Nova e atualizada Escritura, cuja realização está a cargo de centenas, senão de milhares de mediadores, os chamados médiuns psicógrafos, que não são senão os profetas e apóstolos da atualidade. Mas é bom que se diga que os mesmos Espíritos ministradores desses ensinamentos recomendam o discernimento, a cautela, toda a prudência possível, no sentido de não aceitarmos como verdade absoluta qualquer coisa que aparentemente venha da Espiritualidade, sem que antes passemos cada uma delas pelos crivos da razão, da lógica e do bom senso. Não é do nosso desconhecimento que, assim como outrora já nos fora advertido, há falsos profetas, tanto aqui no nosso meio, como na esfera invisível do nosso planeta, pelo que devemos estar atentos e precavidos. "É preferível refutemos noventa e nove verdades, do que acatarmos uma única mentira", dizem-nos, em uníssono, as vozes do Além.               Portanto, ouçam-nas os que têm ouvidos para ouvir. ///

       

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