domingo, 27 de julho de 2014

8. ANJOS DECAÍDOS

       Moisés falou ao seu povo sobre a queda dos anjos, que eram bons, mas que em dado momento preferiram seguir o grande anjo de luz (Lúcifer) em sua rebeldia contra a autoridade absoluta de Deus. Lúcifer, agora chamado Satanás, ou Diabo, tornou-se o pai de todo tipo de maldade. E aqueles anjos, expulsos da presença de Deus, juntamente com seu chefe, trocaram a função de proteger os homens contra suas possíveis quedas ao longo dos dias de suas vidas, pela de lhes dificultar a existência, provocando-lhes a cobiça, o orgulho, a vaidade, o ciúme, o egoísmo, tudo quanto os poderia levar ao erro, ao vício, às doenças, aos sentimentos de culpa, de perda, de inferioridade, de sofrimento, além da perversão moral e da instalação do ódio e da perversidade entre eles e seus semelhantes, o que lhes acarretaria, por fim, a decadência espiritual e o afastamento de Deus, tendo ainda como consequência, a sua condenação eterna ao Inferno, lugar pavoroso preparado para o próprio Capeta e seus servos, esses anjos que antes eram iluminadas criaturas, devotadas ao bem.
       Essa história, para nós, espíritas, é como uma dessas lendas ingênuas, contadas aos povos primitivos para justificar a origem desconhecida de certas paisagens geográficas, certos costumes culturais, até de certos nomes de lugares, neste mundo de tantos questionamentos e tanta criatividade.
       A maioria das lendas, no entanto, possui algum fundo de verdade, cuidadosamente velado, em sua forma poética, que não se faz inteligível senão mediante novos conhecimentos e descobertas científicas, que possam retirar da alegoria os fatos concretos. Assim sendo, não podemos tomar ao pé da letra qualquer história que nos seja contada, sob pena de permanecermos em atitude mental infantil, ridicularizados ante a impossibilidade racional e lógica de tratar-se de uma verdade tal e qual nos tenha sido transmitida.
       A seu devido tempo, os Espíritos incumbidos de nos trazerem a nova revelação divina, por assim dizer, vieram ao nosso encontro, levantando o véu que nos encobria a visão acerca de certos fatos relacionados com a nossa trajetória evolutiva na Terra. Explicam-nos eles, por exemplo, que alguns de nós somos espíritos originários aqui mesmo deste planeta, ao passo que outros de nós teríamos migrado para cá, em determinada época, provenientes de outro orbe, situado em outro sistema, provavelmente de algum ponto longínquo da nossa galáxia, a Via Láctea. 
       É bem possível que a história de Moisés se refira não a anjos, de fato, como as religiões os concebem, mas a Espíritos que foram expulsos do seu planeta de origem, a fim de cumprirem exílio na Terra, em consequência de sua renitência em não acompanhar o progresso espiritual coletivo do mesmo. Teriam eles progredido intelectual e cientificamente, mas não moralmente. E essa inferioridade moral lhes fazia andar a reboque da evolução geral daquele orbe, obstando a felicidade completa dos seus pares, em maioria, já devidamente regenerados pelas experiências sucessivas de dor e de sofrimento, consequentes de seus equívocos multimilenares, tal como parece estar acontecendo conosco nestes finais de tempo, na Terra.
     Se assim for, de fato, esses Espíritos poderiam considerar-se, até então, ditosos, felizes, aquinhoados de bênçãos, não fosse a sua tendência ainda prevalecente para o mal, gerada certamente pelo egoísmo, não mais condizente com o estado geral da comunidade planetária de que faziam parte.
      Reencarnados compulsoriamente em um globo recém formado, com sua geologia e condições de desenvolvimento biológico e intelectual ainda precários e rudimentares, aqui tiveram que se reinventar e lutar muito para recriar as condições que lhes facilitavam a sobrevivência e a convivência lá no antigo paraíso perdido, de que guardariam apenas vaga e saudosa lembrança.
       Esta é, para nós, a hipótese mais aproximada do que realmente pode ter sido, nos primórdios da raça humana sobre a Terra, a saga da família adâmica, surgida em um período histórico no qual já havia outros habitantes em solo deste planeta, como se pode depreender da narrativa moisaica sobre a nova formação familiar a partir do retiro a que se submeteu Caim, após a morte de Abel, seu irmão, conforme Gênesis - capítulo 4.
       O tema é complexo e dá margem a desdobramentos. Todavia, para não estendermos em demasia o presente texto, achamos por bem resumir a questão da seguinte maneira: Os anjos decaídos são aqueles Espíritos que já haviam atingido certo patamar de evolução em algumas áreas, permanecendo estanques em outras, sofrendo, por esse motivo, as sansões da Lei de Progresso, para, através destas, retomarem a luta interior em prol de sua própria regeneração. Tiveram esses Espíritos de descer alguns degraus na escalada evolutiva, a fim de recapitular algumas lições mal aprendidas, na escolaridade da dor, da dificuldade e do sofrimento, única maneira de aprendê-las de fato e avançar novamente. ///
     

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