As Igrejas Cristãs, de um modo geral, conceituam os demônios como criaturas espirituais malignas, anjos que perderam a sua angelitude ao serem expulsos do Céu, seu primeiro habitat, por haverem-se aliado a Lúcifer em sua rebeldia contra Deus.
Sem cerimônia, muitos pastores evangélicos promovem "cultos de libertação", bradando, a supostos demônios "incorporados" em suas supostas vítimas, palavras de ordem, tais como: "Sai, em nome de Jesus!", ou, "Eu te ordeno, pelo poder do sangue de Cristo: Sai agora desta vida!", entre outras.
Alguns padres da Igreja Católica também realizam, em circunstâncias peculiares, o que eles chamam de sessões de exorcismo, que é a mesma expulsão de demônios, prática baseada nas narrativas bíblicas, que dão conta do seu uso pelo próprio Cristo, em várias ocasiões, como citam os evangelistas em suas anotações, assim como pelos seus apóstolos, como se veem inúmeros exemplos no livro de Atos.
Nós, espíritas, porém, já desde os primeiros contatos experimentais acompanhados pelo codificador da nossa Doutrina, até as experiências mais recentes, cotidianas e generalizadas, pulverizadas pelo mundo inteiro, ouvindo e analisando os depoimentos, as manifestações, os queixumes, as argumentações, os arrependimentos, as retratações, ou mesmo a persistência no equívoco de um incalculável número de personagens invisíveis, nos mais dolorosos processos de influenciação, obsessão, subjugação, ou, simplesmente, de necessidade de ajuda, pela mediunidade atuante de outra imensa gama de médiuns, sérios e bem preparados para a tarefa voluntária, estamos convencidos de que os ditos demônios são apenas Espíritos de pessoas que viveram na crosta terrestre, em corpos iguais aos nossos, em experiências pessoais como as que temos cada um de nós, individual e coletivamente, e que agora estão destituídos da indumentária física, vivenciando outras experiências, nas mais das vez surpreendidos pela morte inesperada , violenta, dramática.
Nos trabalhos de desobsessão, sempre levados muito a sério e com o merecido respeito aos envolvidos, tanto de um lado quanto do outro, deparamo-nos, amiúde, com Espíritos necessitados de ajuda, de orientação, de compreensão, de amor, de luz, tudo de conformidade com o que preconiza o Evangelho de Jesus e como nos têm orientado os Espíritos Superiores. Não nos recomendou o Mestre amar os nossos inimigos? Pois, em vez da expulsão sumária, ensejamos-lhes a doutrinação esclarecedora. Em vez da condenação, o encaminhamento para o entendimento da gravidade de sua própria situação e o refazimento do caminho libertador através do perdão.
Muitas pessoas precisam ainda tomar conhecimento de algumas verdades, de que a maioria sequer suspeita. Uma delas é a de que os seus verdugos invisíveis da atualidade, não raro, são as mesmas suas vítimas de um passado escabroso, próximo ou longínquo. Se esse passado está ausente de nossa memória, isto deve-se à misericórdia e compaixão de Deus, que nos dá oportunidade de recomeçar com nossa ficha limpa, sem os borrões incômodos que nós mesmos lhe introduzimos, que poderiam prejudicar a nova caminhada. Isto não impede que alguns dos antigos desafetos, ora destituídos da matéria limitadora de alguns sentidos da alma, nos identifiquem, pelas nossas projeções mentais, e de nós se aproximem, a nos cobrar a conta a eles devida.
Há também os casos em que o Espírito perturbador é apenas um familiar querido daquele que lhe sofre a atuação negativa, atuação essa realizada não por maldade, mas por encontrar nele um ponto de referência da existência corporal perdida, dos valores terrenos que lhe foram abruptamente usurpados pela morte prematura, normalmente incompreensível ao nível do conhecimento espiritual desse personagem. Essa aproximação, que na maioria das vezes causa certo mal estar ao encarnado, dado o estado de sofrimento e confusão do desencarnado, é própria de uma sensibilidade medianímica, como se nesse encarnado o ente invisível encontrasse um canal aberto e disponível para o seu pedido de socorro.
É justamente este tipo de problema que leva a maioria das pessoas que os enfrentam a procurar, de acordo com suas tendências religiosas, ou uma Igreja dessas que promovem tais cultos de libertação, ou os padres que lidam com o exorcismo, ou, ainda, os Centros Espíritas, dos quais aguardam, no mínimo, a solução desejada, que é a de se verem livres de tal problema.
O grande diferencial das Casas Espíritas ante as demais Instituições é que nelas as pessoas encontram o esclarecimento para a sua problemática, paralelamente à providência terapêutica indicada para cada caso específico.
Para concluirmos esta breve abordagem, lembrando ao leitor que este é também um tema abrangente, que comporta muito mais amplo estudo, dada a sua variedade de nuanças, recomendamos um trecho bastante esclarecedor da Introdução de "O Evangelho Segundo o Espiritismo", na parte indicada pelo sub-título "Resumo da doutrina de Sócrates e de Platão", mais particularmente nos itens IV, V e VI. ///
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