terça-feira, 29 de julho de 2014

10. DISCERNINDO OS ESPÍRITOS

       Nossos companheiros evangélicos não perdem qualquer ensejo de combaterem do Espiritismo a prática da comunicação com os seres invisíveis. Na visão desses companheiros, todo espírito que venha entrar em contato com os homens, seja através de um médium, oralmente ou pela escrita, seja por meio de uma aparição espontânea, com ou sem a articulação de palavras, trata-se de um demônio, isto é, um espírito maligno e enganador. Não importa o que esses espíritos digam, mesmo que transmitam bons conselhos, que falem de amor ao próximo e de paz, só podem ser entidades do mal, que usam de falsa bondade e mansuetude para melhor iludirem os incautos. Para eles, os anjos, que seriam Espíritos do bem, não podem mais se manifestar ao homens como faziam antigamente, nos primeiros dias do Cristianismo. E, a julgar dos relatos apostólicos, assim como dos livros mais antigos, dos profetas e reis, esse intercâmbio entre anjos e humanos era frequente e muito profícuo. Hoje, ao que parece, só os Espíritos do mal têm a capacidade e/ou a permissão para se fazerem vistos e/ou ouvidos por nós. Isto quando o falsário não é o próprio suposto mediador humano, o médium, que consegue ludibriar os mais crentes com pseudo-manifestações, em que nenhuma entidade espiritual se acha de fato presente.
       Nós, espíritas, estudiosos e não apenas praticantes da mediunidade, estamos cônscios da existência de variadas categorias de Espíritos, no que tange às suas qualidades morais e intelectuais, que tanto podem ser portadores de verdadeira como de uma pseudo-sapiência, o que nos deixa sempre em alerta, diante dos variados tipos de mensagens que nos chegam do Além, prontos a analisá-las com critério e sabedoria, para não nos deixarmos vitimar por um provável engodo.
       Allan Kardec, em seu "Livro dos Médiuns", nos dá um panorama geral e rico em detalhes acerca dessas diferentes qualidades que os Espíritos não podem deixar de demonstrar-se portadores, pelo teor mesmo de suas mensagens escritas ou faladas.
       É pena que esses nossos irmãos nos ideais cristãos não consigam perceber, no seu trato tão intenso com os textos da Bíblia, a que valorizam tanto, que os apóstolos daqueles primeiros dias de propagação do Evangelho de Jesus mantinham franca comunicação com os mesmos Espíritos que ora recebemos em nossas reuniões de estudo prático da mediunidade a serviço do bem. Sim, os apóstolos entretinham contatos frequentes e diretos com a Espiritualidade, ao ponto de serem advertidos pelo missivista João, em sua primeira epístola universal (capítulo 4, v. 1): "Amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes provai os espíritos se procedem de Deus (...)". Ora, se só os maus Espíritos pudessem se comunicar com os homens, onde estaria a lógica e a necessidade da advertência visando o discernimento dos mesmos? Querem maior testemunho do que este de que ambas as possibilidades coexistem na base da comunicabilidade entre os dois mundos (visível e invisível)?
       Se isto não é o bastante, recorramos à palavra do próprio Mestre dos mestres, que é enfática ao asseverar que "pelos frutos se conhece a árvore", complementando a ideia com absoluta precisão, dizendo que "não se pode colher bons frutos de uma árvore má", ou, noutra versão, que "não se colhem figos dos abrolhos".
       De suas comunicações, pois, podemos reconhecer a qualidade moral e, por extensão, a procedência do Espírito manifestante. 
       Certamente, a lisura do médium também é um bom indicativo acerca dos Espíritos que usam de sua faculdade, posto que deva existir uma sintonia perfeita e uma afinidade de sentimentos e propósitos entre um e outros.
       De mais para menos, é preciso ainda que os companheiros leigos no assunto saibam que em nossas sessões mediúnicas, ordinariamente, o número de Espíritos que adentram o recinto para receberem orientação doutrinária é bem maior do que a dos que nos vêm transmitir instruções. Estes, por sinal, o que fazem, na grande maioria das vezes em que se manifestam, é exortarem os trabalhadores e aprendizes ao exercício efetivo da Doutrina, conforme já está estabelecida desde a sua codificação, reiterando-nos de que a teoria sem a prática nenhum valor possui. ///
       
       

segunda-feira, 28 de julho de 2014

9. QUEM SÃO ELES, OS CHAMADOS DEMÔNIOS?

       As Igrejas Cristãs, de um modo geral, conceituam os demônios como criaturas espirituais malignas, anjos que perderam a sua angelitude ao serem expulsos do Céu, seu primeiro habitat, por haverem-se aliado a Lúcifer em sua rebeldia contra Deus.
       Sem cerimônia, muitos pastores evangélicos promovem "cultos de libertação", bradando, a supostos demônios "incorporados" em suas supostas vítimas, palavras de ordem, tais como: "Sai, em nome de Jesus!", ou, "Eu te ordeno, pelo poder do sangue de Cristo: Sai agora desta vida!", entre outras.
        Alguns padres da Igreja Católica também realizam, em circunstâncias peculiares, o que eles chamam de sessões de exorcismo, que é a mesma expulsão de demônios, prática baseada nas narrativas bíblicas, que dão conta do seu uso pelo próprio Cristo, em várias ocasiões, como citam os evangelistas em suas anotações, assim como pelos seus apóstolos, como se veem inúmeros exemplos no livro de Atos.
       Nós, espíritas, porém, já desde os primeiros contatos experimentais acompanhados pelo codificador da nossa Doutrina, até as experiências mais recentes, cotidianas e generalizadas, pulverizadas pelo mundo inteiro, ouvindo e analisando os depoimentos, as manifestações, os queixumes, as argumentações, os arrependimentos, as retratações, ou mesmo a persistência no equívoco de um incalculável número de personagens invisíveis, nos mais dolorosos processos de influenciação, obsessão, subjugação, ou, simplesmente, de necessidade de ajuda, pela mediunidade atuante de outra imensa gama de médiuns, sérios e bem preparados para a tarefa voluntária, estamos convencidos de que os ditos demônios são apenas Espíritos de pessoas que viveram na crosta terrestre, em corpos iguais aos nossos, em experiências pessoais como as que temos cada um de nós, individual e coletivamente, e que agora estão destituídos da indumentária física, vivenciando outras experiências, nas mais das vez surpreendidos pela morte inesperada , violenta, dramática.
      Nos trabalhos de desobsessão, sempre levados muito a sério e com o merecido respeito aos envolvidos, tanto de um lado quanto do outro, deparamo-nos, amiúde, com Espíritos necessitados de ajuda, de orientação, de compreensão, de amor, de luz, tudo de conformidade com o que preconiza o Evangelho de Jesus e como nos têm orientado os Espíritos Superiores. Não nos recomendou o Mestre amar os nossos inimigos? Pois, em vez da expulsão sumária, ensejamos-lhes a doutrinação esclarecedora. Em vez da condenação, o encaminhamento para o entendimento da gravidade de sua própria situação e o refazimento do caminho libertador através do perdão.
       Muitas pessoas precisam ainda tomar conhecimento de algumas verdades, de que a maioria sequer suspeita. Uma delas é a de que os seus verdugos invisíveis da atualidade, não raro, são as mesmas suas vítimas de um passado escabroso, próximo ou longínquo. Se esse passado está ausente de nossa memória, isto deve-se à misericórdia e compaixão de Deus, que nos dá oportunidade de recomeçar com nossa ficha limpa, sem os borrões incômodos que nós mesmos lhe introduzimos, que poderiam prejudicar a nova caminhada. Isto não impede que alguns dos antigos desafetos, ora destituídos da matéria limitadora de alguns sentidos da alma, nos identifiquem, pelas nossas projeções mentais, e de nós se aproximem, a nos cobrar a conta a eles devida.
       Há também os casos em que o Espírito perturbador é apenas um familiar querido daquele que lhe sofre a atuação negativa, atuação essa realizada não por maldade, mas por encontrar nele um ponto de referência da existência corporal perdida, dos valores terrenos que lhe foram abruptamente usurpados pela morte prematura, normalmente incompreensível ao nível do conhecimento espiritual desse personagem. Essa aproximação, que na maioria das vezes causa certo mal estar ao encarnado, dado o estado de sofrimento e confusão do desencarnado, é própria de uma sensibilidade medianímica, como se nesse encarnado o ente invisível encontrasse um canal aberto e disponível para o seu pedido de socorro.
       É justamente este tipo de problema que leva a maioria das pessoas que os enfrentam a procurar, de acordo com suas tendências religiosas, ou uma Igreja dessas que promovem tais cultos de libertação, ou os padres que lidam com o exorcismo, ou, ainda, os Centros Espíritas, dos quais aguardam, no mínimo, a solução desejada, que é a de se verem livres de tal problema.
        O grande diferencial das Casas Espíritas ante as demais Instituições é que nelas as pessoas encontram o esclarecimento para a sua problemática, paralelamente à providência terapêutica indicada para cada caso específico.
       Para concluirmos esta breve abordagem, lembrando ao leitor que este é também um tema abrangente, que comporta muito mais amplo estudo, dada a sua variedade de nuanças, recomendamos um trecho bastante esclarecedor da Introdução de "O Evangelho Segundo o Espiritismo", na parte indicada pelo sub-título "Resumo da doutrina de Sócrates e de Platão", mais particularmente nos itens IV, V e VI. ///
       
  

domingo, 27 de julho de 2014

8. ANJOS DECAÍDOS

       Moisés falou ao seu povo sobre a queda dos anjos, que eram bons, mas que em dado momento preferiram seguir o grande anjo de luz (Lúcifer) em sua rebeldia contra a autoridade absoluta de Deus. Lúcifer, agora chamado Satanás, ou Diabo, tornou-se o pai de todo tipo de maldade. E aqueles anjos, expulsos da presença de Deus, juntamente com seu chefe, trocaram a função de proteger os homens contra suas possíveis quedas ao longo dos dias de suas vidas, pela de lhes dificultar a existência, provocando-lhes a cobiça, o orgulho, a vaidade, o ciúme, o egoísmo, tudo quanto os poderia levar ao erro, ao vício, às doenças, aos sentimentos de culpa, de perda, de inferioridade, de sofrimento, além da perversão moral e da instalação do ódio e da perversidade entre eles e seus semelhantes, o que lhes acarretaria, por fim, a decadência espiritual e o afastamento de Deus, tendo ainda como consequência, a sua condenação eterna ao Inferno, lugar pavoroso preparado para o próprio Capeta e seus servos, esses anjos que antes eram iluminadas criaturas, devotadas ao bem.
       Essa história, para nós, espíritas, é como uma dessas lendas ingênuas, contadas aos povos primitivos para justificar a origem desconhecida de certas paisagens geográficas, certos costumes culturais, até de certos nomes de lugares, neste mundo de tantos questionamentos e tanta criatividade.
       A maioria das lendas, no entanto, possui algum fundo de verdade, cuidadosamente velado, em sua forma poética, que não se faz inteligível senão mediante novos conhecimentos e descobertas científicas, que possam retirar da alegoria os fatos concretos. Assim sendo, não podemos tomar ao pé da letra qualquer história que nos seja contada, sob pena de permanecermos em atitude mental infantil, ridicularizados ante a impossibilidade racional e lógica de tratar-se de uma verdade tal e qual nos tenha sido transmitida.
       A seu devido tempo, os Espíritos incumbidos de nos trazerem a nova revelação divina, por assim dizer, vieram ao nosso encontro, levantando o véu que nos encobria a visão acerca de certos fatos relacionados com a nossa trajetória evolutiva na Terra. Explicam-nos eles, por exemplo, que alguns de nós somos espíritos originários aqui mesmo deste planeta, ao passo que outros de nós teríamos migrado para cá, em determinada época, provenientes de outro orbe, situado em outro sistema, provavelmente de algum ponto longínquo da nossa galáxia, a Via Láctea. 
       É bem possível que a história de Moisés se refira não a anjos, de fato, como as religiões os concebem, mas a Espíritos que foram expulsos do seu planeta de origem, a fim de cumprirem exílio na Terra, em consequência de sua renitência em não acompanhar o progresso espiritual coletivo do mesmo. Teriam eles progredido intelectual e cientificamente, mas não moralmente. E essa inferioridade moral lhes fazia andar a reboque da evolução geral daquele orbe, obstando a felicidade completa dos seus pares, em maioria, já devidamente regenerados pelas experiências sucessivas de dor e de sofrimento, consequentes de seus equívocos multimilenares, tal como parece estar acontecendo conosco nestes finais de tempo, na Terra.
     Se assim for, de fato, esses Espíritos poderiam considerar-se, até então, ditosos, felizes, aquinhoados de bênçãos, não fosse a sua tendência ainda prevalecente para o mal, gerada certamente pelo egoísmo, não mais condizente com o estado geral da comunidade planetária de que faziam parte.
      Reencarnados compulsoriamente em um globo recém formado, com sua geologia e condições de desenvolvimento biológico e intelectual ainda precários e rudimentares, aqui tiveram que se reinventar e lutar muito para recriar as condições que lhes facilitavam a sobrevivência e a convivência lá no antigo paraíso perdido, de que guardariam apenas vaga e saudosa lembrança.
       Esta é, para nós, a hipótese mais aproximada do que realmente pode ter sido, nos primórdios da raça humana sobre a Terra, a saga da família adâmica, surgida em um período histórico no qual já havia outros habitantes em solo deste planeta, como se pode depreender da narrativa moisaica sobre a nova formação familiar a partir do retiro a que se submeteu Caim, após a morte de Abel, seu irmão, conforme Gênesis - capítulo 4.
       O tema é complexo e dá margem a desdobramentos. Todavia, para não estendermos em demasia o presente texto, achamos por bem resumir a questão da seguinte maneira: Os anjos decaídos são aqueles Espíritos que já haviam atingido certo patamar de evolução em algumas áreas, permanecendo estanques em outras, sofrendo, por esse motivo, as sansões da Lei de Progresso, para, através destas, retomarem a luta interior em prol de sua própria regeneração. Tiveram esses Espíritos de descer alguns degraus na escalada evolutiva, a fim de recapitular algumas lições mal aprendidas, na escolaridade da dor, da dificuldade e do sofrimento, única maneira de aprendê-las de fato e avançar novamente. ///
     

7. ANJOS SÃO ESPÍRITOS

     Que os anjos, cujas aparições se fazem em número relevante nas narrativas bíblicas, tanto do velho quanto do novo Testamentos, são criaturas espirituais enviadas por Deus para dialogar com os homens, guiá-los ou informá-los sobre algum evento importante à vista, disto nenhum cristão tem a menor dúvida, seja qual for o segmento filosófico-religioso a que esteja filiado.
       Qual será, então, a diferença entre a visão espírita e a dos cristãos bíblicos em relação à natureza ou qualidade desses Espíritos e a das suas comunicações ou relações com os homens?
       Isto é o que pretendemos analisar neste capítulo das nossas reflexões comparativas.
      Para a cristandade em geral, os anjos são entes espirituais criados à parte da Humanidade. Antes de Deus haver criado o espírito humano, destinado a habitar um corpo terrestre, Ele já havia criado os anjos, seres incorpóreos, para O servirem e O adorarem no Céu. Uma das funções reservadas a estes seres também era a de velarem pelo bem-estar dos humanos, que logo haveriam de se multiplicar no paraíso terreno, a partir da união entre Adão e Eva, como está evidente no primeiro livro de Moisés - o Gênesis.
       Mas um dos pontos mais interessantes a ser considerado nesta análise é que os anjos apareciam com muita frequência aos profetas e aos justos, antes do advento do Cristo, bem como às pessoas de bem e aos apóstolos de Jesus, durante e após a sua gloriosa missão entre nós. Pelo menos até o último livro das Sagradas Escrituras, há relatos de aparições de anjos. Depois disso, abruptamente, tornaram-se raros o episódios, na história das religiões cristãs, em que os anjos se apresentam para falar diretamente com os homens, como se eles houvessem interrompido por algum motivo oculto essas comunicações. Aliás, qualquer aparição espiritual, hoje em dia, logo se põe na conta de uma entidade demoníaca. Todavia, um outro personagem aparece, não visivelmente, mas sentido intimamente, no coração dos fiéis discípulos e ministros da Palavra de Deus. Quem é esse personagem? É nada menos que o Espírito Santo, que uns interpretam como um Sopro Divino e outros como uma Pessoa da Divindade, sobre o qual já falamos no texto anterior, sob o título "O ESPÍRITO CONSOLADOR".
        Tem ainda, especificamente para os adeptos do Catolicismo, os Espíritos dos santos (aqueles homens e mulheres de vida santificada, canonizados pela Igreja), que se fazem intercessores das graças e milagres solicitados a Deus por seu intermédio, com orações, promessas e muita devoção.
       Nós, espíritas, ante a visão reencarnacionista que adotamos, entendemos os anjos como Espíritos mais evoluídos que nós, ou, simplesmente, como bons Espíritos, habitantes do Plano Espiritual (Invisível), mas que, como nós, muito provavelmente já passaram pela escolaridade do Plano físico deste Planeta, muitas e muitas vezes, podendo ainda a ele retornarem, em missão redentora ou para galgarem novos patamares em sua evolução pessoal.
       Quanto à existência de Espíritos que já haviam alcançado a angelitude em época anterior ao povoamento da Terra, faz-se-nos perfeitamente compreensível, uma vez que acreditamos na possibilidade real de haver incontáveis outros planetas habitados por inteligências semelhantes à nossa, ainda que em corpos diferentes dos nossos, em formato e densidade, sempre utilizados por Espíritos em evolução. Tais mundos encontram-se espalhados pelo Universo infinito; e os Espíritos bem podem transmigrar-se de um planeta para outro, a qualquer distância que estejam entre si, nada obstando uma possível vinda em grupo para os arredores da Terra, sob a supervisão do iluminado Espírito a Quem chamamos Mestre - Jesus. Essa migração pode te ocorrido enquanto o nosso globo se formava geologicamente, conformando-se de modo a poder receber seus primeiros moradores, espíritos nativos, os quais necessitariam daqueles como seus guias, até que adquirissem a capacidade de agir pelo próprio livre-arbítrio e pela própria razão.
     Em suma, para nós, espíritas, anjos são Espíritos superiores, Espíritos de luz, Espíritos bons, Espíritos amigos, que talvez já tenham até, alguns deles, convivido conosco em outros avatares, e com os quais ainda podemos voltar a conviver em oportunidades futuras, aqui, no mundo material, ou alhures, no mundo espiritual. Afinal, como é dito na letra de uma canção, "um dia todos nós seremos anjos", não importa quão distantes ainda nos encontremos desta meta. ///

quinta-feira, 24 de julho de 2014

6. O ESPÍRITO CONSOLADOR

       Muitos pastores e sacerdotes, em suas pregações entusiásticas, aludem à presença do Espírito Santo, ou Espírito de Deus, em suas igrejas, em seus cultos, atribuindo a Este a inspiração e a orientação das obras realizadas através do seu ministério, assim como a atuação na vida dos fiéis sinceros e verdadeiramente convertidos.
       Raros são os evangelizadores que acentuam o caráter Consolador do Espírito Santo, com o qual Jesus o teria anunciado, dizendo que, com este fim, Ele nos seria enviado e permaneceria para sempre entre nós. A maioria prefere vislumbrá-lo como um agente de feitos milagrosos, tais como: curas de doenças graves e complicadas para a medicina tradicional; libertação de vícios e de demônios; promoção de grandes sucessos no âmbito da prosperidade financeira; sem contar a intuição sistemática dada àqueles que desejam exercer o ministério da Palavra, com sugestões de campanhas maravilhosas, que os ajudam a "pescar mais e mais almas para Cristo".
       Normalmente, atribui-se ao Espírito Santo o poder da Terceira Pessoa da Trindade Divina. Como tal, é Ele o executor da Vontade de Deus-Pai, sob uma espécie de supervisão direta e comunhão integral com o Deus-Filho, Jesus Cristo. É o que se depreende de muitas alusões feitas a esse Espírito por grandes pregadores da Palavra de Deus. Alguns deles, também célebres escritores, afirmam que o Espírito Santo é uma Personalidade, uma Individualidade, com qualidades próprias, como "conhecimento, sentimento e vontade" (Ver R. R. Soares, em "Espiritismo - A Magia do Engano").
       Nós, espíritas, compreendemos o Espírito Santo, de cuja existência real a Bíblia dá ideia bastante clara e fortes indícios, como sendo o Novo Consolador, conforme nos foi prometido por Jesus, registro feito pelos quatro evangelistas bíblicos. Segundo uma das passagens mais conhecidas de todos os cristãos, Jesus afirma que Ele, o Novo Consolador, ser-nos-ia enviado em Seu Nome, com a missão de nos ensinar "todas as coisas" e nos fazer relembrar os Seus ensinamentos, com toda a pureza e os verdadeiros significados com que Ele mesmo no-los transmitiu quando de sua presença entre nós, há cerca de dois mil anos. Nessa ocasião, o Cristo asseverou que ainda teria muito para nos dizer (informar-nos), certamente acerca de coisas espirituais mais profundas, mas que não estávamos preparados para recebê-las e compreendê-las, com a devida e necessária clareza. Ora, bem se vê que muitos dos ensinamentos efetivamente deixados sob a nossa guarda perderam-se nos labirintos dos interesses materialistas, ou foram deturpados para se acomodarem às circunstâncias do poder temporal de grupos religiosos dominadores.
       Mas, depois de alguns séculos de obscuridade, eis que o Espírito de Deus se acerca novamente da massa humana, aflita e deserdada da fé raciocinada, para conduzi-la de novo ao conhecimento da Verdade libertadora. 
       Para nós, todavia, este Espírito não se apresenta como uma Pessoa, um único Ser espiritual, mas, como Ele próprio nos há informado, trata-se de uma plêiade de Espíritos, um grande exército de trabalhadores da Seara do Mestre Jesus, Este o Guia e Modelo da Humanidade, e que veio, sim, para ficar conosco e nos guiar na direção do Bem e do progresso coletivo, intelectual e moralmente.
       Seus ensinamentos e suas informações acerca da vida eterna, da imortalidade das almas, vêm, assim, consolar-nos em nossas aflições e dificuldades, libertar-nos de dúvidas e inseguranças, aliviar-nos os sofrimentos, enfim, pelo esclarecimento que nos trazem e pelas vibrações de paz e de equilíbrio que nos enviam.
       Esses ensinamentos espalham-se pelo mundo, através de uma Nova e atualizada Escritura, cuja realização está a cargo de centenas, senão de milhares de mediadores, os chamados médiuns psicógrafos, que não são senão os profetas e apóstolos da atualidade. Mas é bom que se diga que os mesmos Espíritos ministradores desses ensinamentos recomendam o discernimento, a cautela, toda a prudência possível, no sentido de não aceitarmos como verdade absoluta qualquer coisa que aparentemente venha da Espiritualidade, sem que antes passemos cada uma delas pelos crivos da razão, da lógica e do bom senso. Não é do nosso desconhecimento que, assim como outrora já nos fora advertido, há falsos profetas, tanto aqui no nosso meio, como na esfera invisível do nosso planeta, pelo que devemos estar atentos e precavidos. "É preferível refutemos noventa e nove verdades, do que acatarmos uma única mentira", dizem-nos, em uníssono, as vozes do Além.               Portanto, ouçam-nas os que têm ouvidos para ouvir. ///

       

quarta-feira, 23 de julho de 2014

5. CASTIGO - PRIVILÉGIO - OU EFEITO NATURAL?

       O cristão que tem embasada a sua crença, sem restrições, na Bíblia Sagrada, tende a declarar-se, até com certo tom de orgulho na voz, temente a Deus.
       De fato, percebe-se que muitos crentes desenvolvem esse temor que os acompanha pela vida afora. Essa atitude, por estranha que pareça, é bastante compreensível, desde que esse crente seja um daqueles hábeis recitadores de versículos bíblicos chaves, principalmente do Antigo Testamento, onde se encontram, não raro, terríveis ameaças divinas, prevendo punições enérgicas aos desobedientes da Lei.
       Ao arrependido, o perdão gratuito. Ao iníquo inconfesso, o merecido castigo.
       Lembremos que tudo isto está ligado à ideia de uma única existência, que, nas mais das vezes, é também muito breve. Uma só oportunidade dada à criatura para que aprenda e entenda, com a clareza necessária, todo o Código Divino, que inclui algumas ordenanças particularmente impostas por algumas Igrejas, de acordo com a sua ideologia ou a interpretação pessoal de seus líderes.
       É por isso que vemos tantos cristãos atemorizados, diante de certos dogmas, receosos das sansões a que poderão ser submetidos em caso de seu descumprimento. O Juízo Final os assombra.
       Nós, espíritas, não aceitamos a crença nos castigos divinos, mas, sim, na Lei universal e natural de Causa e Efeito, também chamada Lei de Ação e Reação, segundo a qual "não há ação que não provoque uma reação", assim como "não há efeito sem causa", justificando-se com ela tudo o que nos ocorre, bom ou ruim, de acordo com a nossa própria conduta e nossas escolhas e decisões pessoais. Assim, em vez de castigos ou privilégios, cada um colherá exatamente daquilo que houver efetivamente semeado.
       Quanto ao perdão, prometido àqueles que estejam dispostos a se arrependerem de suas faltas, preferimos dizer da ilimitada compreensão de Deus, em relação às nossas limitações, consignada nas novas oportunidades que sempre nos dá de refazermos nossas trajetórias, pelo aprendizado e pela reparação dos erros eventualmente cometidos.
       Os efeitos de nossos atos poderão ser sentidos de imediato, durante a jornada terrena em que são produzidos, a curto, médio ou longo prazo, como também poderão ser adiados, manifestando-se em outra época, numa nova reencarnação, porquanto, nesta, embora seja outro o corpo e outra a experiência vivenciada através desse novo corpo, o Espírito é o mesmo, comprometido com os próprios erros de outrora. 
       Sob a luz destes conceitos, encontramos explicações plausíveis e alentadoras, até, para tantos insucessos, assim como para os sucessos, aparentemente injustificáveis, e que permeiam a vida humana na Terra, em condições tão diversas, quanto, por vezes, tão adversas. 
        Em resumo: Castigo, não; efeito reparador de nossas próprias más ações, isto sim. Perdão, no sentido de esquecimento e absolvição, sem nenhuma reparação do mal feito, não; oportunidade de refazimento, de restauração, de reajustamento, de quitação dos débitos anteriormente contraídos, isto sim.
       É com esta conceituação, acerca das Leis Divinas e Universais, infalíveis, imutáveis e imparciais, que o Espiritismo tem forjado, entre os seus adeptos, cidadãos cada vez mais conscientes e dispostos a progredirem, passo a passo, na semeadura do bem, visando um futuro melhor, dada a sua condição, antes espiritual do que física, de cidadãos do Universo e da Eternidade.
       Temor, nunca mais; respeito e gratidão para com o Criador, que é Perfeito e Justo em toda a Sua criação e nas Leis que a regem, isto sim, e sempre. ///
       

terça-feira, 22 de julho de 2014

4. GRAÇA DIVINA X MÉRITO PESSOAL

       Grande parcela da cristandade tem considerado como a mais legítima expressão da "Palavra de Deus" a afirmativa do apóstolo Paulo de Tarso, em uma de suas famosas cartas, de que é pela graça de Deus, mediante a nossa fé expressa em Jesus, que alcançamos a salvação, e não pelas nossas boas obras (ver opinião contrária do apóstolo Tiago), para que não nos vangloriemos de nossa própria capacidade ou de nossos próprios esforços em conquistá-la.
       Muitos pregadores do evangelho enfatizam que só há uma maneira de o homem salvar sua alma: aceitar Jesus Cristo como seu Salvador, único e suficiente, o que quer dizer sem nenhum intermediário. Explicam que sem essa condição não se pode alcançar a graça divina; e sem esta não haverá salvação, restando ao pecador, mesmo em se tratando de pessoa muito boa, generosa, caridosa e de caráter retilíneo, a condenação irremediável. Sendo assim, a salvação não se dá por mérito, mas trata-se de um "dom gratuito de Deus".
       Segundo uma determinada corrente teológica, há ainda um outro elemento fundamental na salvação, que é a eleição divina. Significa que Deus é Quem elege as almas que deverão ser salvas. Por dedução lógica, Deus também é o Que elege as almas destinadas à condenação perpétua.
       A fim de evitarem a rejeição natural a esta teoria, que parece contraditória à imagem que se costuma fazer de um Deus supremo em bondade, misericórdia e amor, os teólogos apresentam a explicação de que "a eleição já foi feita segundo a presciência de Deus, muito antes da fundação do mundo"(ver Manual de Teologia Sistemática, de Zacarias de Aguiar Severa).  De acordo com esta tese, Deus conhece perfeitamente todas as coisas futuras e cada pessoa que ainda não nasceu, sua história de vida e suas escolhas ainda não realizadas. Assim, Ele sabe, por antecipação, a quem poderá chamar para o grupo dos que serão salvos e a quem não adiantará nenhum apelo, por mais veemente se faça, para que atenda ao Seu chamamento e aceite a Sua graciosa dádiva.
       Conclui-se daí que é o próprio Deus Quem toca no coração dos Seus eleitos para que eles procurem por Jesus Cristo, Seu Filho amado, Salvador da Humanidade e propiciador da Graça, independente de obras realizadas ou não, bem como de sentimentos e emoções pessoais sentidos ou não.
       Ainda na mesma linha de raciocínio, esses pregadores do Evangelho costumam asseverar que a fé também constitui um dom especial de Deus para as criaturas que devem gozar da salvação. Isto significa que sem a ação direta de Deus no coração do homem, este permanece árido, sem uma crença verdadeira e sem fé, mantendo-se pois no caminho da perdição, muitas vezes seguindo orientações erradas, sendo enganado em suas crenças, à mercê da ação destruidora do Inimigo pessoal de Deus, a saber, o Diabo.
        Diante destas perspectivas, que, amiúde, nos são apresentadas por amigos queridos que nos desejam converter e conduzir à salvação, já alcançada por eles, mediante essa Graça, nos deparamos intimamente com a seguinte reflexão: Será que nós, humanos, somos meros fantoches, manipulados pelo Ser que nos criou, sem vontade própria e sem livre-arbítrio, até mesmo para sentirmos ou não confiança no Seu Poder supremo e no Seu Amor extremado por todos nós?
       Para início da nossa análise comparativa, nós, espíritas, evolucionistas quais somos, devemos dizer aos nossos companheiros de ideal cristão que, na nossa visão racionalista, entendemos que o ponto de chegada, ou destino final de cada Espírito é a sua pureza total e a sua perfeição quase integral, bem próxima, e ainda assim inferior, à do nosso Criador. Seria algo como, um dia, por longínquo que este esteja do momento presente, podermos dizer, imitando o Cristo: "Eu e o Pai somos um", guardada, é claro, a certeza da Sua soberania, para nós indiscutível, tanto quanto inatingível.
       No nosso pensar, se Deus nos escolhesse, a uns, sem o devido mérito, para a felicidade eterna, e a outros, igualmente sem o merecermos, para a também eterna infelicidade, que justiça haveria nisto? Nem os homens agem dessa forma, na sua conceituação de justiça ainda tão imperfeita. E se Deus fosse o doador da fé, sê-lo-ia também da ausência desta no coração do homem, o que Lhe revelaria um caráter parcialista e, mais uma vez, injusto.
       Ora, como imputaríamos Sabedoria plena e infinita a um Ser ao Qual não pudéssemos atribuir Justiça  verdadeira e inquebrantável?
       Donde concluímos que Deus, o Criador e mantenedor do Universo e da Vida, é pleno e infalível em sua Sabedoria, em seu Amor, em sua Misericórdia e em sua Justiça, sem o que não seria Deus; e, assim, outro Deus haveria com tais atributos, porquanto o Universo e a Vida não se fizeram a si mesmos, sem que Alguém, ou Algo, os criasse, e com uma finalidade absolutamente sábia. ///

domingo, 20 de julho de 2014

3. A PASSAGEM

       Deixando de lado a parte mais complicada e polêmica do tema, que seria falarmos da morte dos animais, já que são seres vivos com características bem próximas às dos humanos, mas que nada fazem para merecerem tal impositivo, desde que se considere a morte como um castigo divino ou uma produção satânica, e sem falarmos também nas plantas, que igualmente vivem e morrem, passemos de pronto à exploração dos prováveis destinos do Espírito, ou Alma, da criatura humana, uma vez que, espiritualistas que somos, não podemos mais ver o homem sem este seu componente natural.
       De acordo com todas as correntes cristãs, é ele, o Espírito, o elemento dotado de inteligência, capacidade de discernimento, vontade e livre-arbítrio, destinado a permanecer vivo, ou seja, a sobreviver por toda a eternidade, após a falência do seu instrumento orgânico de manifestação neste mundo das formas físicas.
       A "briga" entre as instituições doutrinárias mais tradicionais do Cristianismo é no sentido de determinar com quem está a verdade "verdadeira", já que todas elas "bebem" da mesma fonte, a "Palavra de Deus", mas divergem entre si quanto à destinação dos Espíritos, no tempo e no espaço, como veremos a seguir.
       Umas acreditam que, depois de uma breve e única existência corpórea, a que teve direito na face da Terra, o Espírito terá apenas duas opções: o Céu, ou o Inferno. O Céu é um lugar de prazer perene, enquanto o Inferno o é de sofrimento intraduzível e igualmente infindo.
       Outras, asseguram que há ainda uma terceira localização geográfica invisível, uma espécie de estação intermediária e provisória, onde o Espíritos menos comprometidos com pecados graves estagiam por algum tempo, a fim de se regenerarem e poderem então ser conduzidos ao Céu. A essa estação deu-se o nome de Purgatório, por referir-se a um lugar de purgação das mazelas das almas pecaminosas, que ainda poderão vir a ser salvas, por meio, principalmente, das orações feitas em seu favor.
    Para alguns segmentos, esses destinos se cumprem imediatamente ao falecimento do corpo. Para outros, os Espíritos dormem um sono profundo, totalmente inconscientes, do qual serão despertos no dia da ressurreição coletiva para o grande e pavoroso Julgamento Final, em que alguns receberão o salvo conduto celeste, sendo que outros, em maior número, ao que parece, terão a sentença condenatória, inapelavelmente.
       No entanto, há ainda um terceiro grupo de cristãos bíblicos, que preconizam algo mais concreto para os justos e mais ameno para os ímpios. Os primeiros serão ressuscitados em carne para habitarem o paraíso em que se transformará a própria Terra; os "mais ou menos", nem tão justos, nem tão ímpios, ressurgirão ao lado daqueles e receberão deles o auxílio fraterno a fim de se regenerarem e permanecerem para sempre entre os mesmos, gozando da paz e da alegria de viver neste mundo transformado; já os últimos, contados entre os perversos irrecuperáveis e os desobedientes inveterados, estes sofrerão a segunda morte, que significa simplesmente deixar de existir, o que parece ser uma medida muito mais afinada com a decantada misericórdia divina, do que a ideia de um Deus que está disposto a empurrar os seus filhos rebeldes para dentro de um lago de fogo e enxofre inextinguíveis, a fim de causar-lhes os mais terríveis e inimagináveis sofrimentos, por toda a eternidade.
       A par dessas teorias, ainda há a questão do merecimento de cada um, ou da graça divina a recair sobre alguns, que trataremos no próximo capítulo.
       Nós, espíritas, cremos na continuidade da vida, com a preservação da consciência individual, em outra dimensão energética, aqui mesmo na Terra ou no Espaço interplanetário, com atividades e movimentação intensas e incessantes. Cremos, outrossim, que os Espíritos interagem entre si e com os seus afins que permanecem por mais tempo na crosta material, isto é, no plano mais sólido e palpável do nosso Planeta.
       Isto implica crermos também na pré-existência do Espírito a esta sua incursão neste mundo, assim como o seu futuro retorno, posto que, na visão espírita, trata-se de um ser evolutivo, no sentido intelecto-moral, que necessita de variadas experiências no campo da matéria, vislumbrando assim o seu aperfeiçoamento e a sua purificação espiritual.
       A morte, para nós, significa apenas uma passagem de um estágio para outro da vida, que é eterna, até que cada Espírito, de per si, ao longo dos seus avatares, alcance o ápice da perfeição relativa, porquanto a Perfeição absoluta só a possui o Criador do Universo, ao nosso juízo, imensurável, inimaginável, inatingível e insondável. ///

quinta-feira, 17 de julho de 2014

2. EXPLICANDO A MORTE

       Segundo a Teologia bíblica, a morte entrou na vida do homem por intermédio do pecado. E o pecador foi ninguém menos que Adão, apontado pelo historiador da gênese planetária e humana na Bíblia, Moisés, como o primeiro homem criado e posto por Deus para viver sobre a face da Terra, tendo por companheira e cúmplice a mulher, dele mesmo gerada, chamada Eva. Mas o mais interessante nesta história é que a terrível condenação à morte física, por conta de um inocente pecado de desobediência a uma ordem expressa de Deus, estendeu-se a todas as gerações futuras, sem qualquer grau de recurso possível.
       Alguns segmentos religiosos chegam a pregar que o grande artífice da morte é, na verdade, o Diabo, Inimigo número um de Deus, e que, portanto, devemos odiar a morte e jamais aceitar a ideia de que seja ela uma determinação de Deus contra as suas criaturas. Nesse caso, Deus teria apenas advertido o casal paraisense sobre as consequências que lhes adviriam se comessem do fruto da "árvore do conhecimento do bem e do mal". E estes, infelizmente, não Lhe deram ouvidos e o comeram.
       Para muitos crentes, diante do resultado da desobediência de Adão e Eva, configurado na sentença de morte inevitável para toda a espécie humana, Deus providenciou uma forma de resgate, a fim de propiciar a salvação de todos os herdeiros do pecado original, na pessoa de seu Filho unigênito, Jesus. Ele viria, então, com a missão de levar sobre si todas as nossas faltas, derramando o seu sangue de justo em um santo sacrifício, por todos aqueles que o aceitassem como salvador, a fim de serem perdoados e limpos para poderem gozar, no futuro, da vida eterna a que desde o início foram destinados.
       O mais desanimador, no entanto, é quando vemos alguns líderes religiosos imputando como castigo divino, por conta de supostos pecados pontuais, cometidos pelos nossos contemporâneos, alguns tipos específicos de morte. Por exemplo: a morte de uma pessoa ou de um grupo de indivíduos em acidente ou evento trágico. É muito comum ouvirem-se comentários maliciosos neste sentido quando uma comunidade inteira ou um grande grupo de pessoas é vitimada por uma catástrofe natural, como um terremoto, um tsuname, uma enchente, um furacão, um vulcão, um incêndio de grandes proporções ou mesmo um acidente aéreo, ferroviário ou náutico, dos quais geralmente poucos são os que escapam com vida, sendo isto computado por milagre, ou seja, pela intervenção da mão divina, dado o merecimento pessoal ou algum propósito especial de Deus para com os mesmos.
       Nós, espíritas, não comungamos com nenhuma dessas teorias ou crenças, todas elas, ao nosso ver, desconectadas da razão e do bom-senso, além de contrárias ao verdadeiro sentido de Justiça, atributo indispensável à Divindade Criadora.
       Entendemos que a morte, isto é, a desagregação de toda e qualquer organização física, a partir do desajuste das células, moléculas e átomos que compõem os chamados corpos orgânicos, faz parte de um processo natural, sob a regência de Leis sábias, justas e imutáveis, uma das quais é exatamente a Lei do Progresso, a que Tudo está sujeito em todos os confins do Universo.
       Plantas, animais e pessoas nascem, desenvolvem-se e morrem. 
      Ora, as plantas e os animais não pecam nem nunca pecaram, mas também morrem. E assim como umas e outros, de acordo com suas próprias espécies, as pessoas têm um tempo pré-determinado de existência corpórea, podendo esse tempo ser mais ou menos elástico, assim como, em muitos casos, ser abreviado, por variados motivos e em diferentes circunstâncias.
     A morte ou a aparente destruição de qualquer corpo constituído de matéria orgânica resulta na transformação dos seus elementos componentes, através de novas combinações com outros elementos da natureza, indo compor outros diferentes corpos, conforme nos asseguram as mais avançadas pesquisas científicas já realizadas, seja no campo da Biologia, da Química ou da Geologia, entre outros. Já o conhecido cientista assim asseverou: "Na Natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma".
         Mas é preciso ainda que definamos o ser humano, diferentemente das plantas e dos animais, como um ser formado de dupla essência: matéria e espírito. Este, sim, o espírito, é que foi criado "à imagem e semelhança de Deus", ou seja, com o atributo da eternidade. Se a matéria é e sempre foi perecível, ou, se o quisermos dizer melhor, transmutável, o Espírito não o é. Este, dotado de inteligência e vontade, contando ainda com o livre-arbítrio, é único, pessoal, individual, e, para nós, espíritas, sujeito à lei do progresso moral.
       O assunto é amplo e sugere façamos aqui uma breve pausa, retornando a ele num próximo momento, a fim de compararmos as crenças e teorias sobre a destinação do Espírito, após a morte do corpo físico em que habitou na sua brevíssima passagem pelo solo terreno. Fiquemos, por ora, a refletir nesta importante parte da questão, que costumo considerar das mais empolgantes. 
       Um abraço fraterno aos leitores e um carinhoso até breve. ///
       
        
     

terça-feira, 15 de julho de 2014

1. O ESPÍRITA PERANTE A BÍBLIA

       Em face da Bíblia, um conjunto de escrituras considerado como o LIVRO SAGRADO das religiões ocidentais, há duas classes de cristãos: a daqueles que assentam suas crenças e doutrinas integralmente nos escritos bíblicos e a dos que veem a Bíblia apenas como um conjunto de livros de valor histórico indiscutível, mas que nem tudo aceitam ou interpretam ao pé da letra do que nela está grafado.
     Para estes últimos, é como se a Bíblia fosse um livro de contos infantis, os quais revelassem importantes mensagens de teor moral, inclusive de grande proveito para leitores adultos, mas de onde estes devessem extrair a essência educativa, desprezando a fantasia destinada ao entendimento limitado do público mirim.
       A este segundo grupo é que pertencem os espíritas. Não significa que eles não aceitem absolutamente nada do que está escrito no também chamado "Livro dos livros". Antes, porém, deve-se esclarecer que, ao examiná-lo, retiram de suas páginas o que há de realmente proveitoso, porquanto há partes, principalmente no chamado Velho Testamento, que chegam a constituir um contra-senso inadmissível, mormente quando comparadas aos ensinamentos do Cristo, constantes do Novo Testamento, a que todo cristão deveria de fato dar maior importância, mas que nem sempre o faz.
      Nós, espíritas, diante dessa visão, ao contrário dos cristãos tradicionais (católicos e evangélicos), recusamo-nos a nomear a Bíblia como a "Palavra de Deus", como costumam estes denominá-la.
       Começa que, entre outras coisas, algumas consideráveis até como tremendos absurdos, ou  terríveis barbaridades, achamos impossível e profundamente incoerente que o próprio Criador do Universo (de centenas de milhares de bilhões de galáxias) tenha vindo, "em pessoa", falar com os profetas de outrora, menos ainda para transmitir-lhes ordens para matar inocentes, sem qualquer resquício de piedade, como consta da história dos hebreus, chamados "povo de Deus".
        Não nos cabe à mente, senão como uma visualização humana, limitada pela falta do necessário advento e posterior desenvolvimento da Ciência, a teoria genética de Moisés, em que Deus teria criado o Universo galáctico e o próprio astro solar que rege o nosso sistema orbital, tudo em função da Terra, nosso minúsculo planeta, e não o contrário. A maioria dos cristãos persiste em considerar o nosso como o único orbe habitável por seres inteligentes, ou seja, da espécie humana, em toda esta imensidão infinita a perder-se de vista e mesmo do alcance dos nossos mais potentes equipamentos de sondagem espacial.
       Também não há como aceitarmos de bom grado e de sã consciência a decantada divindade de um Ser tão caprichoso, ciumento, intolerante e perverso, quanto se nos afigura o "Deus de Israel", concebido pelo grande escritor e legislador hebreu, na medida exata das necessidades pontuais de sua liderança sobre aquele povo ainda rude e desorganizado, quando Jesus nos oferece a paternidade de um Ser magnânimo, verdadeiramente justo, amoroso, imparcial e pleno de misericórdia, num momento em que já possuímos idade espiritual suficiente para entendermos os recados divinos com uma maior clareza e sem tantas e tão grosseiras alegorias, quantas foram engendradas pelos escritores bíblicos no passado longínquo.
      Nós, espíritas, desapegamos-nos, portanto, da letra morta da Bíblia, para nos apegarmos aos ensinamentos sábios e verdadeiramente redentores do Cristo. E não se trata, em absoluto, de nos acharmos alçados a qualquer grau de superioridade perante os nossos companheiros de outras crenças. Trata-se apenas de estarmos mais abertos às recomendações de Jesus, assim como às dos Espíritos mensageiros, que hão vindo atualmente, em Seu Nome, esclarecer-nos sobre diversos pontos que ainda jaziam obscuros aos tempos das novas Escrituras bíblicas. Se algo temos a comemorar, é o fato de estarmos aproveitando esta valiosíssima oportunidade, que se estende a todos, de acelerar o crescimento interior, ou seja, a evolução espiritual, que fatalmente ocorrerá em cada indivíduo, porquanto esta é a nossa destinação enquanto cidadãos do Universo e da Eternidade, que somos. Só não podemos olvidar que as responsabilidades pessoais aumentam na mesma proporção dos conhecimentos adquiridos, a cada etapa do nosso aprendizado. "Mais se pedirá àquele a quem mais houver sido dado",  conforme está escrito. ///
     
       

SUMÁRIO:

       Para facilitar ao leitor o acesso aos textos publicados neste blog, face à diversidade de temas que nele serão abordados, o autor irá construindo, ao longos das publicações feitas, este SUMÁRIO, em que serão registrados o título e o mês em que cada texto foi inserido. A cada nova publicação, este sumário será atualizado, e, a cada mudança de mês, o mesmo será citado no "arquivo do blog", situado à margem direita.

JULHO/2014:

 1. O ESPÍRITA PERANTE A BÍBLIA

 2. EXPLICANDO A MORTE

 3. A PASSAGEM

 4. GRAÇA DIVINA X MÉRITO PESSOAL

 5. CASTIGO - PRIVILÉGIO - OU EFEITO NATURAL?

 6. O ESPÍRITO CONSOLADOR

 7. ANJOS SÃO ESPÍRITOS

 8. OS ANJOS DECAÍDOS

 9. QUEM SÃO ELES, OS CHAMADOS DEMÔNIOS?

10. DISCERNINDO OS ESPÍRITOS

domingo, 6 de julho de 2014

NOTA DE APRESENTAÇÃO DESTE BLOG

     Após haver escrito e publicado no blog BASTIDORES DO ESPIRITISMO uma centena de textos sobre diversos aspectos da Doutrina, estou inaugurando este novo blog, COMPARATIVO ESPÍRITA, que terá por finalidade específica a criação e publicação de novos textos, agora com o objetivo de analisar algumas crenças bem populares e que fazem parte dos dogmas de diversos segmentos cristãos, sob a ótica do Espiritismo.
     Como de hábito, utilizarei os conhecimentos obtidos em diversas leituras e estudos, sem necessariamente usar o método literário das citações, muito aplicado em autorias de livros. Minha ideia inicial é de escrever o mais informalmente possível, deixando bem claro que, ao traduzir algumas leituras feitas em tempos passados, talvez não seja totalmente fiel aos autores originais, podendo ocorrer que um ou outro leitor considere até que eu esteja manifestando apenas uma opinião pessoal.
     Minha intenção é mostrar aqui que algumas crenças cultivadas por seguidores de diversas religiões ou igrejas cristãs são vistas de maneira bem diferente pelos espíritas, ensejando aos leitores a oportunidade de fazerem uma análise comparativa entre uma e outra visões.
     Longe de tentar, com isto, converter quem quer que seja ao Espiritismo, pois, como já declarei alhures, o Espiritismo não busca converter nem convencer ninguém de nada, mas apenas expor seus pontos de vista com a maior clareza possível, deixando a critério de cada um convencer-se a si próprio do que melhor lhe pareça condizer com a verdade. Para tanto, ressalte-se mais uma vez a trilogia aplicada pelos estudiosos do Espiritismo, que é a do somatório desses três crivos:  LÓGICA + RAZÃO + BOM SENSO.
     Desde já, contando com o mesmo prestígio emprestado ao blog "Bastidores do Espiritismo" para com este novo blog, que começará a ser ativado em breve, agradeço a todos os leitores, recomendando aos que porventura ainda não conhecem o anterior que o façam, acessando: bastidoresdoespiritismo.blogspot.com.
     Deixo aqui o mais efusivo e fraterno abraço a cada companheiro que me dê o prazer da sua atenção, esperando corresponder a todo e qualquer grau de expectativa eventualmente depositado nos textos que em breve começarei a publicar.
     A todos, muita paz e muita luz. Que o divino amigo, Jesus, nos abençoe. ///