quarta-feira, 23 de julho de 2014

5. CASTIGO - PRIVILÉGIO - OU EFEITO NATURAL?

       O cristão que tem embasada a sua crença, sem restrições, na Bíblia Sagrada, tende a declarar-se, até com certo tom de orgulho na voz, temente a Deus.
       De fato, percebe-se que muitos crentes desenvolvem esse temor que os acompanha pela vida afora. Essa atitude, por estranha que pareça, é bastante compreensível, desde que esse crente seja um daqueles hábeis recitadores de versículos bíblicos chaves, principalmente do Antigo Testamento, onde se encontram, não raro, terríveis ameaças divinas, prevendo punições enérgicas aos desobedientes da Lei.
       Ao arrependido, o perdão gratuito. Ao iníquo inconfesso, o merecido castigo.
       Lembremos que tudo isto está ligado à ideia de uma única existência, que, nas mais das vezes, é também muito breve. Uma só oportunidade dada à criatura para que aprenda e entenda, com a clareza necessária, todo o Código Divino, que inclui algumas ordenanças particularmente impostas por algumas Igrejas, de acordo com a sua ideologia ou a interpretação pessoal de seus líderes.
       É por isso que vemos tantos cristãos atemorizados, diante de certos dogmas, receosos das sansões a que poderão ser submetidos em caso de seu descumprimento. O Juízo Final os assombra.
       Nós, espíritas, não aceitamos a crença nos castigos divinos, mas, sim, na Lei universal e natural de Causa e Efeito, também chamada Lei de Ação e Reação, segundo a qual "não há ação que não provoque uma reação", assim como "não há efeito sem causa", justificando-se com ela tudo o que nos ocorre, bom ou ruim, de acordo com a nossa própria conduta e nossas escolhas e decisões pessoais. Assim, em vez de castigos ou privilégios, cada um colherá exatamente daquilo que houver efetivamente semeado.
       Quanto ao perdão, prometido àqueles que estejam dispostos a se arrependerem de suas faltas, preferimos dizer da ilimitada compreensão de Deus, em relação às nossas limitações, consignada nas novas oportunidades que sempre nos dá de refazermos nossas trajetórias, pelo aprendizado e pela reparação dos erros eventualmente cometidos.
       Os efeitos de nossos atos poderão ser sentidos de imediato, durante a jornada terrena em que são produzidos, a curto, médio ou longo prazo, como também poderão ser adiados, manifestando-se em outra época, numa nova reencarnação, porquanto, nesta, embora seja outro o corpo e outra a experiência vivenciada através desse novo corpo, o Espírito é o mesmo, comprometido com os próprios erros de outrora. 
       Sob a luz destes conceitos, encontramos explicações plausíveis e alentadoras, até, para tantos insucessos, assim como para os sucessos, aparentemente injustificáveis, e que permeiam a vida humana na Terra, em condições tão diversas, quanto, por vezes, tão adversas. 
        Em resumo: Castigo, não; efeito reparador de nossas próprias más ações, isto sim. Perdão, no sentido de esquecimento e absolvição, sem nenhuma reparação do mal feito, não; oportunidade de refazimento, de restauração, de reajustamento, de quitação dos débitos anteriormente contraídos, isto sim.
       É com esta conceituação, acerca das Leis Divinas e Universais, infalíveis, imutáveis e imparciais, que o Espiritismo tem forjado, entre os seus adeptos, cidadãos cada vez mais conscientes e dispostos a progredirem, passo a passo, na semeadura do bem, visando um futuro melhor, dada a sua condição, antes espiritual do que física, de cidadãos do Universo e da Eternidade.
       Temor, nunca mais; respeito e gratidão para com o Criador, que é Perfeito e Justo em toda a Sua criação e nas Leis que a regem, isto sim, e sempre. ///
       

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