sexta-feira, 15 de maio de 2015

16. ASSIM PROGRIDE A HUMANIDADE


       Para os companheiros adeptos da teoria da unicidade da vida humana sobre a Terra, ou seja, da teoria que diz que o espírito do homem é por Deus criado juntamente com o corpo no qual irá habitar, tendo esse corpo um tempo limitado de existência, enquanto aquele espírito está fadado a permanecer vivo eternamente, tornando-se um ser feliz ou infeliz, perenemente, de acordo com as escolhas feitas no pouco tempo de que dispõe para as ações que lhe definirão o futuro, tempo este igual ao da duração de seu corpo, trago hoje uma nova reflexão sobre a teoria oposta, aquela que diz que somos Espíritos em franco progresso pelas vias da multiplicidade de existências, através da reencarnação, processo este em que tomamos novos corpos para novas experiências, até alcançarmos um grau de purificação tal, que nos aconchegará ao Criador e nos fará realmente felizes para toda a eternidade.
     Ao passarmos nossas vistas pela história da Humanidade e suas civilizações, forçosamente constatamos um progresso feito, que vem desde a rudez e barbárie dos primitivos habitantes da Terra, até a intelectualidade e sociabilidade predominantes nos que atualmente povoam o mesmo orbe.
       Não há termo de comparação entre a brutalidade e a ignorância dos homens de outrora e os avanços tecnológicos, científicos e conscienciais que lhes são facultados no presente, embora haja ainda alguns resquícios pontuais desse passado tenebroso, mas que são abominados pela grande maioria de nós outros.
        A pergunta que faço é esta: Se Deus está e sempre esteve, ao longo de tantos milênios, criando almas novas, a fim de ajuntá-las a novos corpos em formação, igualmente por sua ordem ou autorização, estaria Ele aperfeiçoando-se, aos poucos, ao ponto de criar os espíritos cada vez com maior capacidade racional ou intelectual, com inteligências e aptidões cada vez mais apuradas, fazendo-os mais inventivos e engenhosos do que antes?
       Se assim o é, uma vez que esses Espíritos não tiveram nenhuma experiência anterior a se somarem para o seu desenvolvimento intelectual, pergunto, ainda, se teria Deus evoluído com o tempo em Sua atividade criadora, "produzindo" espíritos cada vez melhores. Se estaria, só agora, nestes "finais de tempos", já que, segundo as mesmas crenças, aproxima-se o momento do grande "Juízo Final", dotando os Espíritos, novinhos em folha, de uma capacidade superior à dos seus longínquos e mesmo próximos antepassados. E por que se deveria tal discriminação, uma vez que umas e outras almas foram criadas para o mesmo fim, o Céu ou o Inferno? Onde estariam, assim, a equanimidade e a justiça divinas nestes casos? Não é Ele (Deus), o Dono da Sabedoria suprema e imutável? Ora, se a justiça e a sabedoria de Deus são imutáveis, por que houve tal mudança, então?
       No entanto, do ponto de vista em que se admita a progressividade do Espírito, através de sucessivas vivências na corporeidade, amealhando este os conhecimentos e as experiências que o vão enriquecendo gradativamente, aí, sim, o progresso social do homem se justifica, sem que se possa inculpar o Criador pelas brutais diferenças entre os atuais habitantes da Terra e seus ancestrais.
       Deixo, pois, o convite a uma análise lógica, entre este último raciocínio e a crença dogmática que nos tem sido imposta até aqui pelas Autoridades Teológicas, que se pretendem inequívocas e absolutamente inquestionáveis. Comparem-se uma e outra e veja-se qual das duas teorias é a mais racional, a mais razoável. Os tempos são chegados, sim, de pensarmos, pensarmos e... pensarmos. Não mais podemos aceitar que nos obriguem a crer em algo que não resista ao crivo da razão. ///

NOTA: Este texto foi construído por mim com base no texto de Allan Kardec, do capítulo XI, item 38, do livro A GÊNESE. Nesse texto Kardec versa sobre a "Raça adâmica". 
E você sabia que o nome "Adão", do vocábulo hebraico "haadam", significa "homem", no sentido geral (de humanidade)?

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sexta-feira, 1 de maio de 2015

15. "NOSSO" DEUS E "SEUS" INIMIGOS


       Muitas das numerosas orientações cristãs, que deveriam proclamar a existência de Deus em conformidade com a Boa Nova anunciada por Jesus, ainda arraigadas à letra fria e rançosa do Velho Testamento das Escrituras, insistem e levar seus adeptos a adorarem um Deus bravio, rancoroso, dado a acessos de ira, ao revanchismo e à intolerância. Segundo essas crenças e a parte dos Escritos "Sagrados" em que elas se apoiam, Deus teria concedido ao povo de Israel o privilégio de ser o Seu povo escolhido. A esse povo, por meio dos seus profetas (intérpretes da Sua Vontade), deu a ordem, ou a instrução para que O adorassem como Deus único, Criador do Céu e da Terra, e de tudo o que neles há, ou seja,  de todo o Universo e da vida em todas as suas formas.
       Àquela época, os demais povos adoravam a vários deuses, fossem eles representados por forças da Natureza, como o vento, o fogo, etc.; por corpos celestes de grande magnitude vistos a olho nu, como o sol, a lua e outros astros ou constelações; ou feitos por suas próprias mãos, geralmente representando animais ferozes ou seres estranhos, que talvez fossem até entidades espirituais eventualmente materializadas ante a clarividência de alguns de seus líderes ou sacerdotes. O fato é que esses povos prestavam culto e toda sorte de reverências a esses deuses, que supostamente os protegiam e exigiam obrigações em troca dessa proteção.
       Deus, segundo os livros dos hebreus, teria como Seus inimigos pessoais todos esses povos e, frequentemente, ordenava aos reis de Israel exterminá-los e até tomar suas propriedades, como forma de vingança por eles terem outros deuses, em Seu detrimento.
       Com o advento do Cristo e o crescimento da população terrena, ficou estabelecido que todos os que n'Ele crescem, independentemente da nação a que pertencessem, passariam a ser vistos como integrantes do Povo de Deus, o povo escolhido para a salvação. Já os que não aceitassem a divindade e o caráter messiânico de Jesus em sua vinda à Terra, estes seriam então, mesmo sendo judeus, considerados "inimigos de Deus".
       Nós, espíritas, temos outra visão, completamente diferente, a esse respeito. Para nós, nunca houve nada dessa inimizade de Deus, o Criador do Universo e da Vida, para com outros povos, nem mesmo para com outros deuses. Certamente, esses deuses eram criados pela ignorância (leia-se infantilidade) dos povos primitivos da Terra, formados por espíritos ainda pouco evoluídos.
       Deus é o Criador de todos nós, ou seja, de todos os povos que habitam qualquer pedaço de chão deste Planeta, não tendo preferidos nem preteridos, porquanto todos estão, sempre estiveram e estarão sob os seus cuidados amorosos.
       Suas Leis são naturais e iguais para todos e por todos os tempos, sendo que uma delas é a chamada "Lei do Progresso". Todas as leis naturais, Leis de Deus, são sábias, justas, eternas e imutáveis. A elas estamos sujeitos, desde o princípio. Por isto, ao desobedecermo-las, sofremos os reveses na proporção direta dos nossos atos em contrário ao que elas determinam. Não há, pois, castigo divino nem favor, mas uma reação natural à nossa ação, seja esta qual for, boa o má.
       Assim, não cremos num Deus parcialista, num Deus que teria um povo eleito, só Seu, e que teria por inimigos os outros povos. Afinal, esses outros povos, porventura, teriam sido criados pelos "seus" deuses, ou pelo próprio "nosso" Deus. Ora, se Ele é Único e Verdadeiro, somente Ele poderia havê-los gerado, e, portanto, todos são filhos Seus. Jamais poderia Ele haver cometido ou ordenado os genocídios narrados pelas Escrituras, o que nos leva a entender que tais genocídios foram engendrados pelos próprios reis e líderes religiosos da época, sedentos de glória e poder, atribuindo à Divindade Suprema os seus perversos intuitos pessoais.
       Deus, segundo Jesus, é puro amor, misericórdia e paz. Nele não cabe jamais qualquer resquício de ódio, tampouco de orgulho, vaidade, egoísmo ou qualquer outro sentimento mesquinho próprio do ser humano, que ainda luta contra as suas imperfeições, rumando, a pouco e pouco, na direção do Bem e da santidade, que o há de aproximar d'Ele, objetivo final da nossa caminhada evolutiva.
       Faça, pois, amigo leitor, este breve comparativo entre uma e outras crenças. Você é quem decide com qual prefere ficar. Continue sendo livre no pensar, este é o conselho que o autor deste blog tem a lhe dar, sem nenhuma pretensão e com muita humildade.
       Que todos sejamos abençoados. ///

Evoti Leal (evoti.leal@hotmail.com)
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