sexta-feira, 1 de maio de 2015

15. "NOSSO" DEUS E "SEUS" INIMIGOS


       Muitas das numerosas orientações cristãs, que deveriam proclamar a existência de Deus em conformidade com a Boa Nova anunciada por Jesus, ainda arraigadas à letra fria e rançosa do Velho Testamento das Escrituras, insistem e levar seus adeptos a adorarem um Deus bravio, rancoroso, dado a acessos de ira, ao revanchismo e à intolerância. Segundo essas crenças e a parte dos Escritos "Sagrados" em que elas se apoiam, Deus teria concedido ao povo de Israel o privilégio de ser o Seu povo escolhido. A esse povo, por meio dos seus profetas (intérpretes da Sua Vontade), deu a ordem, ou a instrução para que O adorassem como Deus único, Criador do Céu e da Terra, e de tudo o que neles há, ou seja,  de todo o Universo e da vida em todas as suas formas.
       Àquela época, os demais povos adoravam a vários deuses, fossem eles representados por forças da Natureza, como o vento, o fogo, etc.; por corpos celestes de grande magnitude vistos a olho nu, como o sol, a lua e outros astros ou constelações; ou feitos por suas próprias mãos, geralmente representando animais ferozes ou seres estranhos, que talvez fossem até entidades espirituais eventualmente materializadas ante a clarividência de alguns de seus líderes ou sacerdotes. O fato é que esses povos prestavam culto e toda sorte de reverências a esses deuses, que supostamente os protegiam e exigiam obrigações em troca dessa proteção.
       Deus, segundo os livros dos hebreus, teria como Seus inimigos pessoais todos esses povos e, frequentemente, ordenava aos reis de Israel exterminá-los e até tomar suas propriedades, como forma de vingança por eles terem outros deuses, em Seu detrimento.
       Com o advento do Cristo e o crescimento da população terrena, ficou estabelecido que todos os que n'Ele crescem, independentemente da nação a que pertencessem, passariam a ser vistos como integrantes do Povo de Deus, o povo escolhido para a salvação. Já os que não aceitassem a divindade e o caráter messiânico de Jesus em sua vinda à Terra, estes seriam então, mesmo sendo judeus, considerados "inimigos de Deus".
       Nós, espíritas, temos outra visão, completamente diferente, a esse respeito. Para nós, nunca houve nada dessa inimizade de Deus, o Criador do Universo e da Vida, para com outros povos, nem mesmo para com outros deuses. Certamente, esses deuses eram criados pela ignorância (leia-se infantilidade) dos povos primitivos da Terra, formados por espíritos ainda pouco evoluídos.
       Deus é o Criador de todos nós, ou seja, de todos os povos que habitam qualquer pedaço de chão deste Planeta, não tendo preferidos nem preteridos, porquanto todos estão, sempre estiveram e estarão sob os seus cuidados amorosos.
       Suas Leis são naturais e iguais para todos e por todos os tempos, sendo que uma delas é a chamada "Lei do Progresso". Todas as leis naturais, Leis de Deus, são sábias, justas, eternas e imutáveis. A elas estamos sujeitos, desde o princípio. Por isto, ao desobedecermo-las, sofremos os reveses na proporção direta dos nossos atos em contrário ao que elas determinam. Não há, pois, castigo divino nem favor, mas uma reação natural à nossa ação, seja esta qual for, boa o má.
       Assim, não cremos num Deus parcialista, num Deus que teria um povo eleito, só Seu, e que teria por inimigos os outros povos. Afinal, esses outros povos, porventura, teriam sido criados pelos "seus" deuses, ou pelo próprio "nosso" Deus. Ora, se Ele é Único e Verdadeiro, somente Ele poderia havê-los gerado, e, portanto, todos são filhos Seus. Jamais poderia Ele haver cometido ou ordenado os genocídios narrados pelas Escrituras, o que nos leva a entender que tais genocídios foram engendrados pelos próprios reis e líderes religiosos da época, sedentos de glória e poder, atribuindo à Divindade Suprema os seus perversos intuitos pessoais.
       Deus, segundo Jesus, é puro amor, misericórdia e paz. Nele não cabe jamais qualquer resquício de ódio, tampouco de orgulho, vaidade, egoísmo ou qualquer outro sentimento mesquinho próprio do ser humano, que ainda luta contra as suas imperfeições, rumando, a pouco e pouco, na direção do Bem e da santidade, que o há de aproximar d'Ele, objetivo final da nossa caminhada evolutiva.
       Faça, pois, amigo leitor, este breve comparativo entre uma e outras crenças. Você é quem decide com qual prefere ficar. Continue sendo livre no pensar, este é o conselho que o autor deste blog tem a lhe dar, sem nenhuma pretensão e com muita humildade.
       Que todos sejamos abençoados. ///

Evoti Leal (evoti.leal@hotmail.com)
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