sexta-feira, 15 de maio de 2015

16. ASSIM PROGRIDE A HUMANIDADE


       Para os companheiros adeptos da teoria da unicidade da vida humana sobre a Terra, ou seja, da teoria que diz que o espírito do homem é por Deus criado juntamente com o corpo no qual irá habitar, tendo esse corpo um tempo limitado de existência, enquanto aquele espírito está fadado a permanecer vivo eternamente, tornando-se um ser feliz ou infeliz, perenemente, de acordo com as escolhas feitas no pouco tempo de que dispõe para as ações que lhe definirão o futuro, tempo este igual ao da duração de seu corpo, trago hoje uma nova reflexão sobre a teoria oposta, aquela que diz que somos Espíritos em franco progresso pelas vias da multiplicidade de existências, através da reencarnação, processo este em que tomamos novos corpos para novas experiências, até alcançarmos um grau de purificação tal, que nos aconchegará ao Criador e nos fará realmente felizes para toda a eternidade.
     Ao passarmos nossas vistas pela história da Humanidade e suas civilizações, forçosamente constatamos um progresso feito, que vem desde a rudez e barbárie dos primitivos habitantes da Terra, até a intelectualidade e sociabilidade predominantes nos que atualmente povoam o mesmo orbe.
       Não há termo de comparação entre a brutalidade e a ignorância dos homens de outrora e os avanços tecnológicos, científicos e conscienciais que lhes são facultados no presente, embora haja ainda alguns resquícios pontuais desse passado tenebroso, mas que são abominados pela grande maioria de nós outros.
        A pergunta que faço é esta: Se Deus está e sempre esteve, ao longo de tantos milênios, criando almas novas, a fim de ajuntá-las a novos corpos em formação, igualmente por sua ordem ou autorização, estaria Ele aperfeiçoando-se, aos poucos, ao ponto de criar os espíritos cada vez com maior capacidade racional ou intelectual, com inteligências e aptidões cada vez mais apuradas, fazendo-os mais inventivos e engenhosos do que antes?
       Se assim o é, uma vez que esses Espíritos não tiveram nenhuma experiência anterior a se somarem para o seu desenvolvimento intelectual, pergunto, ainda, se teria Deus evoluído com o tempo em Sua atividade criadora, "produzindo" espíritos cada vez melhores. Se estaria, só agora, nestes "finais de tempos", já que, segundo as mesmas crenças, aproxima-se o momento do grande "Juízo Final", dotando os Espíritos, novinhos em folha, de uma capacidade superior à dos seus longínquos e mesmo próximos antepassados. E por que se deveria tal discriminação, uma vez que umas e outras almas foram criadas para o mesmo fim, o Céu ou o Inferno? Onde estariam, assim, a equanimidade e a justiça divinas nestes casos? Não é Ele (Deus), o Dono da Sabedoria suprema e imutável? Ora, se a justiça e a sabedoria de Deus são imutáveis, por que houve tal mudança, então?
       No entanto, do ponto de vista em que se admita a progressividade do Espírito, através de sucessivas vivências na corporeidade, amealhando este os conhecimentos e as experiências que o vão enriquecendo gradativamente, aí, sim, o progresso social do homem se justifica, sem que se possa inculpar o Criador pelas brutais diferenças entre os atuais habitantes da Terra e seus ancestrais.
       Deixo, pois, o convite a uma análise lógica, entre este último raciocínio e a crença dogmática que nos tem sido imposta até aqui pelas Autoridades Teológicas, que se pretendem inequívocas e absolutamente inquestionáveis. Comparem-se uma e outra e veja-se qual das duas teorias é a mais racional, a mais razoável. Os tempos são chegados, sim, de pensarmos, pensarmos e... pensarmos. Não mais podemos aceitar que nos obriguem a crer em algo que não resista ao crivo da razão. ///

NOTA: Este texto foi construído por mim com base no texto de Allan Kardec, do capítulo XI, item 38, do livro A GÊNESE. Nesse texto Kardec versa sobre a "Raça adâmica". 
E você sabia que o nome "Adão", do vocábulo hebraico "haadam", significa "homem", no sentido geral (de humanidade)?

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evoti.leal@hotmail.com
       

sexta-feira, 1 de maio de 2015

15. "NOSSO" DEUS E "SEUS" INIMIGOS


       Muitas das numerosas orientações cristãs, que deveriam proclamar a existência de Deus em conformidade com a Boa Nova anunciada por Jesus, ainda arraigadas à letra fria e rançosa do Velho Testamento das Escrituras, insistem e levar seus adeptos a adorarem um Deus bravio, rancoroso, dado a acessos de ira, ao revanchismo e à intolerância. Segundo essas crenças e a parte dos Escritos "Sagrados" em que elas se apoiam, Deus teria concedido ao povo de Israel o privilégio de ser o Seu povo escolhido. A esse povo, por meio dos seus profetas (intérpretes da Sua Vontade), deu a ordem, ou a instrução para que O adorassem como Deus único, Criador do Céu e da Terra, e de tudo o que neles há, ou seja,  de todo o Universo e da vida em todas as suas formas.
       Àquela época, os demais povos adoravam a vários deuses, fossem eles representados por forças da Natureza, como o vento, o fogo, etc.; por corpos celestes de grande magnitude vistos a olho nu, como o sol, a lua e outros astros ou constelações; ou feitos por suas próprias mãos, geralmente representando animais ferozes ou seres estranhos, que talvez fossem até entidades espirituais eventualmente materializadas ante a clarividência de alguns de seus líderes ou sacerdotes. O fato é que esses povos prestavam culto e toda sorte de reverências a esses deuses, que supostamente os protegiam e exigiam obrigações em troca dessa proteção.
       Deus, segundo os livros dos hebreus, teria como Seus inimigos pessoais todos esses povos e, frequentemente, ordenava aos reis de Israel exterminá-los e até tomar suas propriedades, como forma de vingança por eles terem outros deuses, em Seu detrimento.
       Com o advento do Cristo e o crescimento da população terrena, ficou estabelecido que todos os que n'Ele crescem, independentemente da nação a que pertencessem, passariam a ser vistos como integrantes do Povo de Deus, o povo escolhido para a salvação. Já os que não aceitassem a divindade e o caráter messiânico de Jesus em sua vinda à Terra, estes seriam então, mesmo sendo judeus, considerados "inimigos de Deus".
       Nós, espíritas, temos outra visão, completamente diferente, a esse respeito. Para nós, nunca houve nada dessa inimizade de Deus, o Criador do Universo e da Vida, para com outros povos, nem mesmo para com outros deuses. Certamente, esses deuses eram criados pela ignorância (leia-se infantilidade) dos povos primitivos da Terra, formados por espíritos ainda pouco evoluídos.
       Deus é o Criador de todos nós, ou seja, de todos os povos que habitam qualquer pedaço de chão deste Planeta, não tendo preferidos nem preteridos, porquanto todos estão, sempre estiveram e estarão sob os seus cuidados amorosos.
       Suas Leis são naturais e iguais para todos e por todos os tempos, sendo que uma delas é a chamada "Lei do Progresso". Todas as leis naturais, Leis de Deus, são sábias, justas, eternas e imutáveis. A elas estamos sujeitos, desde o princípio. Por isto, ao desobedecermo-las, sofremos os reveses na proporção direta dos nossos atos em contrário ao que elas determinam. Não há, pois, castigo divino nem favor, mas uma reação natural à nossa ação, seja esta qual for, boa o má.
       Assim, não cremos num Deus parcialista, num Deus que teria um povo eleito, só Seu, e que teria por inimigos os outros povos. Afinal, esses outros povos, porventura, teriam sido criados pelos "seus" deuses, ou pelo próprio "nosso" Deus. Ora, se Ele é Único e Verdadeiro, somente Ele poderia havê-los gerado, e, portanto, todos são filhos Seus. Jamais poderia Ele haver cometido ou ordenado os genocídios narrados pelas Escrituras, o que nos leva a entender que tais genocídios foram engendrados pelos próprios reis e líderes religiosos da época, sedentos de glória e poder, atribuindo à Divindade Suprema os seus perversos intuitos pessoais.
       Deus, segundo Jesus, é puro amor, misericórdia e paz. Nele não cabe jamais qualquer resquício de ódio, tampouco de orgulho, vaidade, egoísmo ou qualquer outro sentimento mesquinho próprio do ser humano, que ainda luta contra as suas imperfeições, rumando, a pouco e pouco, na direção do Bem e da santidade, que o há de aproximar d'Ele, objetivo final da nossa caminhada evolutiva.
       Faça, pois, amigo leitor, este breve comparativo entre uma e outras crenças. Você é quem decide com qual prefere ficar. Continue sendo livre no pensar, este é o conselho que o autor deste blog tem a lhe dar, sem nenhuma pretensão e com muita humildade.
       Que todos sejamos abençoados. ///

Evoti Leal (evoti.leal@hotmail.com)
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sábado, 25 de abril de 2015

14. CARIDADE SEGUNDO PAULO E KARDEC


       "(...); mesmo que eu tenha tamanha fé ao ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade / se não tiver amor, nada serei" - Paulo (I Cor. 13: 2).

       O texto completo, do versículo 1 ao 13, do capítulo 13 da primeira epístola enviada pelo apóstolo Paulo ao Coríntios, creio que já é por demais conhecido de todos. Na tradução bíblica de João Ferreira de Almeida - revista e atualizada, este texto tem por título "O amor é o dom supremo", enquanto na tradução do Centro Bíblico Católico de São Paulo, o mesmo se acha intitulado como "A excelência da caridade". E onde numa aparece a palavra chave "amor", na outra a mesma aparece como "caridade".
       Isto vem reforçar o que desde muitos anos tenho pensado e afirmado, que "amor sem caridade não é amor, assim como caridade sem amor não é caridade". Um não subsiste sem a outra e vice-versa.
       Assim sendo, diante de um mundo tão conturbado, este em que atualmente vivemos, não há outra salvação senão a prática da caridade, que é o amor ao próximo, nos mínimos atos do nosso cotidiano, a que devemos exortar-nos mutuamente, começando por exemplificarmos, nós mesmos, diante dos outros, com comportamentos e atitudes que desejamos e esperamos que tenham para conosco. 
       Vejamos agora o que, de fato, é a caridade, ou o que esta representa para os espíritas, já que bem sabemos que alguns críticos da Doutrina interpretam a caridade espírita de uma maneira bastante equivocada, achando que nos atemos à prática de dar esmolas ou ajudar os necessitados materiais, ou, ainda, segundo alguns, à do assistencialismo aos espíritos sofredores, em nossas reuniões mediúnicas.
       De acordo com o que tenho aprendido em décadas de estudos do Espiritismo, a caridade engloba uma série de atividades e atitudes, as quais nos são solicitadas naturalmente no nosso dia-a-dia, no nosso convívio em sociedade. Aprendi também que o exercício da caridade nada tem a ver com ações meramente de cunho religioso, mas que se trata de um dever de consciência, podendo-se dizer um dever social e cívico, um dever de humanidade. 
        Nesta prática, posso começar pelos deveres profissionais e do lar, visando o bem estar do outro ou outros à minha volta. Cortesia, gentileza, delicadeza, gratidão, fazem parte da caridade em ação, quando atendo alguém ou sou atendido, quando presto um serviço ou sou servido, quando faço uma compra ou vendo algo a alguém, etc. Honestidade e sinceridade no agir e no falar, com tato e boas maneiras, também são peças indispensáveis na prática do amor ao próximo, devendo estar presentes em todos os relacionamentos diários, sejam eles estáveis ou fortuitos. 
       Mas a lista de atitudes que denotam caridade não pára por aí; inclui também a prevenção contra qualquer dano físico ou material que outras pessoas, mesmo nossas desconhecidas, possam vir a sofrer. Uma vez que eu constate qualquer tipo de obstáculo ou situação que possa ser uma ameaça à integridade física ou moral alheia, que possa vir a ferir ou causar perda a alguém, minha ação no sentido de evitar que isto realmente aconteça deve ser imediata, efetiva, seja ela um simples alerta verbal ou uma providência mais complicada, porém indispensável.
       Há coisas ainda mais simples, que também não podem faltar nesta lista, como um sorriso ou uma boa palavra, que podem dirimir ou minimizar a tristeza de alguém, a solidão, a dúvida, a desesperança, o desânimo, etc.
     Orar por alguém que passe por situação difícil, a quem não temos como ajudar mais direta e eficazmente, também constitui um ato de caridade, desde que realmente estejamos interessados em ver essa pessoa livre da situação que lhe causa sofrimento ou aborrecimento.
       Em outras palavras, caridade é servir, é respeitar, é compreender, é perdoar, é ser solidário, é proteger, é, enfim, fazer ao outro o que o outro espera, ou melhor, precisa realmente que se lhe faça.
       Estes são os verdadeiros significados da palavra "caridade", tanto para o apóstolo Paulo, como ele deixa bem claro no texto de sua carta aos cristãos de Corinto, quanto para nós, espíritas, segundo os ensinamentos que recebemos da Doutrina, os quais nos remetem exatamente a esse texto apostólico. 
       O planeta Terra está, pois, precisando, com a máxima urgência, que a verdadeira caridade impere nos corações de todos os seus habitantes, para que ele se torne um paraíso abençoado para todos nós.      Contudo, se não podemos mudar as atitudes dos outros, podemos e devemos mudar as nossas próprias atitudes, o que já será um ótimo começo.
       Pensemos nisto.   ///

Evoti Leal (evoti.leal@hotmail.com)
       
       

sábado, 18 de abril de 2015

13. RESPONDENDO AOS PORQUÊS DA VIDA


       As Igrejas cristãs em geral ensinam aos seus adeptos que a vida humana é uma só e que, depois que esta acaba, com a morte da parte física do homem, o espírito, sua parte inteligente e eterna, será julgado, conforme suas escolhas pessoais, para gozar de felicidade perene, ou para sofrer pelos bilhões de trilhões de séculos vindouros, sem direito a recursos de qualquer natureza.
       Uma das condições indispensáveis à nossa salvação, segundos essas Igrejas, é a aceitação de Jesus-Cristo como "Único e suficiente Salvador", tendo o seu sangue derramado na cruz como o propiciador da purificação de nossas almas, lavando-nos de todo pecado, isto a partir somente da nossa aceitação. Dizem, inclusive, os pregadores dessa doutrina, que a salvação é um "dom gratuito de Deus" (cfe. a Bíblia), concedido mediante a fé que a criatura se disponha a depositar no Criador. O homem se entrega a Deus, por meio do Seu Filho Jesus Cristo, o Salvador, tendo imediatamente os seus pecados lavados, perdoados, e podendo, a partir daí, dormir tranquilo, fortalecido na fé de que agora tornou-se um dos escolhidos para a felicidade plena e eterna, seja no Céu ou na Nova Terra, segundo a sua crença.
       O Espiritismo transmite aos seus seguidores um conceito diferente. Fala que o espírito evolui, o que significa obter uma espécie de crescimento, de acordo com seus próprios esforços no sentido de promover sua transformação moral, ou seja, sua reforma interior, espiritual. As bases dessa reforma seriam, principalmente, o abandono dos vícios e dos maus sentimentos, e subsequente substituição por virtudes e sentimentos bons, tanto quanto possível, puros, elevados. Entre estes estão, a ser abandonado, o egoísmo, pai de todos os vícios e imperfeições morais, e, a ser conquistada, a caridade, mãe de todos os sentimentos bons, de todas as virtudes, de todo o bem que se pode desejar e fazer ao próximo.
       Mas para essa evolução acontecer, faz-se imprescindível o processo da reencarnação, ou seja, o retorno à carne do mesmo espírito, em variados corpos, múltiplas vezes, até que esse crescimento interno se complete, através do aprendizado, que é paulatino e incessante.
       Destas duas doutrinas, suscitamos algumas perguntas, às quais pedimos ao leitor responder, mentalmente, de acordo com a sua própria escolha entre uma conceituação e outra aqui expostas.
       Não se esqueça, porém, que na primeira opção o espírito é criado ao mesmo tempo que o seu corpo. E que o corpo morrerá, mas o espírito não; este prevalecerá para toda a eternidade, colhendo os resultados de suas próprias escolhas, nesta vida única que recebeu das mãos do seu Criador. Já na segunda opção o espírito pré-existe à formação de seu novo corpo, vindo de outras experiências anteriores, trazendo delas uma bagagem indelével de aprendizados a serem completados em novas existências corporais.
       Isto posto, vamos às perguntas:

1. Por que nasci?
2. O que estou fazendo aqui (neste mundo)?
3. E por que neste lugar, nesta época, nesta família, nesta cultura, nestas condições particulares? - Pesar bem as influências do lugar, da família, da cultura, do tempo, das condições de subsistência, etc., especialmente na formação da personalidade e nas escolhas que se faz a partir disso tudo.
4. Por que faço o que faço e como faço? - Observar as aptidões, as dificuldades, a escolha profissional ou a vocação, as oportunidades ou a falta delas, neste contexto.
5. Por que sou assim? - Fazer uma análise do que gosta ou não gosta em si mesmo, no seu jeito de ser. Muitas vezes não somos exatamente como gostaríamos de ser, o que nos leva inclusive a conflitos íntimos. Por isto a indagação procede, até porque nem sempre nos vemos como responsáveis diretos pelo que realmente somos. "ALGUÉM", ou "ALGO" nos fez assim! Ou não?
6. Por que, afinal, somos todos diferentes uns dos outros, temos sortes diferenciadas. envolvem-se, uns, com doenças que passam ao largo de outros, ou com acidentes, de que uns saem ilesos, enquanto outros ficam com sequelas, algumas delas graves, outras não, sobrevivendo alguns, enquanto outros perecem?
       Se o leitor o quiser, poderá ainda formular a si mesmo outras perguntas, tendo suas motivações e experiências próprias, pessoais, como pano de fundo. Questione-se. Questione tudo.
       Depois disto é só responder a si mesmo, buscando apoio em um dos dois conceitos acima, a menos que possua um terceiro não mencionado aqui.
       Boas respostas! Até Breve! Abraços fraternos! ///

Evoti Leal (evoti.leal@hotmail.com). 
{Se quiser, envie-me seu comentário}

quarta-feira, 15 de abril de 2015

12. RESSURREIÇÃO X REENCARNAÇÃO

       Enquanto os nossos irmãos em Cristianismo, evangélicos e católicos, calculam seja mais fácil para Deus reconstruir um corpo já decomposto ou desintegrado na ressurreição dos homens para o grande juízo de seus destinos finais, ou seja, a ressurreição da carne, com todos os ossos, nervos, órgãos, sangue, em suma, com todas as células vivas reunidas outra vez, mesmo após a sua total dispersão, milagrosamente, nós, espíritas, entendemos ser-Lhe muito mais prático e de mais racional e justo propósito construir novos corpos para os mesmos Espíritos, em sua continuada e incessante evolução natural.
       Uma demonstração de que isto é perfeitamente possível foi a ENCARNAÇÃO DE JESUS. Sendo Ele um Espírito pré-existente a essa encarnação, foi como que "implantado", introduzido, acoplado, acomodado, aconchegado ao embrião recém formado, ou feto já em desenvolvimento, concebido no útero materno de uma jovem mulher, a saber, Maria de Nazaré.
       Vemos nisto, pois, um corpo físico, um instrumento orgânico de natureza terrena, desde a sua concepção, destinado a receber e agasalhar, por um tempo limitado, um Espírito eterno já existente, uma Inteligência já formada e desenvolvida anteriormente.
       Ele, o Espírito Jesus, não foi gerado juntamente com o corpo que o abrigou durante essa sua estadia entre nós. Da mesma forma entendemos que bem podemos nós, espíritos humanos, ter sido gerados anteriormente aos corpos que nos foram emprestados pela Divindade Suprema para o nosso necessário progresso, como cidadãos da Eternidade que somos.
       Eis o que nos transmitem as doutrinas da reencarnação e da evolução espiritual, apresentadas pelo Espiritismo, de maneira lúcida, segundo os critérios da razão, da lógica e do bom senso, e que achamos bem mais condizentes com os atributos indispensáveis a essa Divindade, Criadora e provedora da vida, os quais são, incontestavelmente: a suprema bondade, a suprema sabedoria e a suprema justiça.
       Nisto vemos também, com maior clareza, o objetivo final de nossas existências terrenas, isto é, de cada uma das nossas múltiplas passagens por esta abençoada Escola, que é a Terra. Vemos, na condição humana, a nossa condição de alunos de um bendito Educandário que, aos poucos, de série em série, nos vai conduzindo a experiências cada vez mais complexas e mais avançadas, até o saber absoluto.
       É por isto que costumamos dizer que "um dia, todos nós seremos anjos". Noutra palavra: um dia, ainda que isto leve muitos séculos ou milênios, todos nós, criados totalmente ignorantes, sem sapiência, chegaremos à condição de Espíritos puros, altamente sábios e completamente libertos. Estaremos, assim, cumprindo o nosso Destino, que é o de nos achegarmos para bem junto do nosso Criador, ao ponto de nos tornarmos co-criadores (Seus auxiliares diretos) da complexa Organização do Universo (este hoje considerado por vários cientistas, especialmente os astrônomos, como um Multiverso, o que a Doutrina Espírita endossa sem qualquer constrangimento).
       Gente! Sabe a aquela frase que se vê por aí, em decalques colados sobre os vidros de alguns veículos? Aquela, que diz simplesmente: "DEUS É MAIS". Pois é! Quer saber o que nós, espíritas, pensamos realmente a respeito de Deus? Simplesmente, que Deus é muitíssimo mais do que qualquer um de nós O possa imaginar. E é por isto que nenhum esforço nos é necessário fazer para que aceitemos de bom grado a ideia da nossa evolução constante e do nosso retorno a um novo corpo, multiplicadas vezes, como o passo-a-passo de uma longa caminhada rumo à nossa origem divina.
       Praza a Deus conceder-nos cada vez mais luz, discernimento, a fim de conhecermos, cada vez mais, a grande verdade, porquanto é ela, no dizer do próprio Mestre Jesus, que nos libertará. ///

Paz para todos.
Evoti Leal (evoti.leal@hotmail.com)
       

      

quarta-feira, 8 de abril de 2015

11. JESUS TERÁ MESMO RESSUSCITADO?

       Para a maioria dos segmentos cristãos, como a Igreja Católica, a Protestante ou Luterana, assim como as diversas denominações chamadas evangélicas, após os tristes episódios da crucificação e morte de Jesus, na sexta-feira, que mais tarde passou a ser conhecida como "sexta-feira santa", ou "sexta-feira da paixão", comemora-se, no domingo imediato, a PÁSCOA CRISTÃ, que relembra festivamente a ressurreição de Cristo.
       Mas teria Jesus, o Cristo, realmente ressuscitado? Pergunto se Ele realmente teria ressurgido dentre os mortos com sua indumentária carnal (o corpo físico, a vestimenta orgânica), e com ela teria ascendido aos Céus, como consta na narrativa apostólica? Pergunto mais: Estará Jesus residindo na Dimensão própria dos Espíritos, isto é, no Mundo Espiritual, invisível a nós outros, junto de Deus (o Criador) e dos anjos (criaturas espirituais), com o seu corpo de carne, ossos, nervos e sangue, aquele mesmo com que foi concebido no ventre da jovem Maria de Nazaré? Ou esse corpo, depois das suas aparições, terá sofrido alguma espécie de desintegração molecular ou coisa que o valha?
       Para nós, espíritas, o corpo físico, composto das mesmas propriedades existentes no solo do nosso planeta, somados e agregados, átomo a átomo, todos os minerais existentes na composição da Terra, logo que perde a essência espiritual que o anima durante o ciclo da vida humana, já começa a se desintegrar, de ordinário, gradativamente. No caso de Jesus, um Espírito de escol, que aqui vivenciou uma experiência missionária de extrema relevância, é muito provável que o seu corpo tenha-se desintegrado com rapidez muito maior do que a com que o fenômeno costuma ocorrer normalmente.
       Jesus, então, no nosso modo de ver, terá ressurgido entre os seus discípulos e para alguns transeuntes, como narra o livro dos Atos, já com o corpo astral, aquele mesmo a que o apóstolo Paulo alude em seus escritos, a que dá, o mesmo apóstolo, o caráter de incorruptível, e a que nós chamamos, na linguagem espírita, de perispírito, ou corpo sutil.
       Esse corpo, constituído de matéria bem menos densificada, isto é, de energia menos condensada, é, podemos assim dizer, o veículo natural de locomoção, de ação e de manifestação dos Espíritos, em sua movimentação pelo Espaço e em suas comunicações conosco, sendo normalmente invisível aos nossos olhos, mas podendo, em situações peculiares, tornar-se momentaneamente perceptível e até tangível. Isto ocorre mais frequentemente quando o Espírito "proprietário" dessa indumentária já possui um certo grau evolutivo que o capacita a materializá-la, quando o entenda necessário ou oportuno.
     Diferentemente disto, há também um determinado grau de mediunidade a que denominamos "vidência", no qual a pessoa que o detém é capaz de vislumbrar o Espírito (na verdade o perispírito), em ocasiões geralmente fortuitas e quase sempre involuntariamente.
       Ampliem-se todas essas possibilidades, em se tratando da figura magnânima do Mestre da Galileia, do Mensageiro Divino, do Espírito Guia da Humanidade terrena, e teremos a tese mais provável de que Jesus teria se materializado, por vontade própria, diante dos que o viram depois da sua morte. Especialmente nas duas ocasiões em que apareceu no meio dos seus discípulos amados, os quais, ainda atemorizados ante os recentes acontecimentos e a ameaça de serem capturados pelos mesmos perseguidores do Mestre, encontravam-se em pequeno salão bem fechado, cujas portas e janelas cerradas não constituíram obstáculo ao Seu ingresso inesperado naquele recinto. 
       Tanto Ele aparecia como desaparecia, sem deixar nenhum rastro à sua saída e sem bater à porta para adentrar aquele ambiente, o que nos leva a desprezar a ideia de que ali estaria revestido de um  corpo de carne e osso, firmando-nos na hipótese de que assim o fazia dotado de Seu corpo astral, com que de fato foi assunto aos Céus, tese esta que em nada diminui a sua grandeza pessoal, assim como a grandiosidade da sua obra messiânica, permanente e vitoriosa.
       Encorajados pela inesperada e tão maravilhosa visita, eis que os discípulos, conquanto ainda tímidos de início, logo se fizeram destemidos anunciadores da Boa Nova deixada por Jesus, para a libertação de todos nós das trevas da ignorância espiritual, com que ainda muitos de nós nos debatemos até os dias presentes.
       Pensemos nisto, meus amigos. 
       Muita paz a todos. ///