Para os companheiros adeptos da teoria da unicidade da vida humana sobre a Terra, ou seja, da teoria que diz que o espírito do homem é por Deus criado juntamente com o corpo no qual irá habitar, tendo esse corpo um tempo limitado de existência, enquanto aquele espírito está fadado a permanecer vivo eternamente, tornando-se um ser feliz ou infeliz, perenemente, de acordo com as escolhas feitas no pouco tempo de que dispõe para as ações que lhe definirão o futuro, tempo este igual ao da duração de seu corpo, trago hoje uma nova reflexão sobre a teoria oposta, aquela que diz que somos Espíritos em franco progresso pelas vias da multiplicidade de existências, através da reencarnação, processo este em que tomamos novos corpos para novas experiências, até alcançarmos um grau de purificação tal, que nos aconchegará ao Criador e nos fará realmente felizes para toda a eternidade.
Ao passarmos nossas vistas pela história da Humanidade e suas civilizações, forçosamente constatamos um progresso feito, que vem desde a rudez e barbárie dos primitivos habitantes da Terra, até a intelectualidade e sociabilidade predominantes nos que atualmente povoam o mesmo orbe.
Não há termo de comparação entre a brutalidade e a ignorância dos homens de outrora e os avanços tecnológicos, científicos e conscienciais que lhes são facultados no presente, embora haja ainda alguns resquícios pontuais desse passado tenebroso, mas que são abominados pela grande maioria de nós outros.
A pergunta que faço é esta: Se Deus está e sempre esteve, ao longo de tantos milênios, criando almas novas, a fim de ajuntá-las a novos corpos em formação, igualmente por sua ordem ou autorização, estaria Ele aperfeiçoando-se, aos poucos, ao ponto de criar os espíritos cada vez com maior capacidade racional ou intelectual, com inteligências e aptidões cada vez mais apuradas, fazendo-os mais inventivos e engenhosos do que antes?
Se assim o é, uma vez que esses Espíritos não tiveram nenhuma experiência anterior a se somarem para o seu desenvolvimento intelectual, pergunto, ainda, se teria Deus evoluído com o tempo em Sua atividade criadora, "produzindo" espíritos cada vez melhores. Se estaria, só agora, nestes "finais de tempos", já que, segundo as mesmas crenças, aproxima-se o momento do grande "Juízo Final", dotando os Espíritos, novinhos em folha, de uma capacidade superior à dos seus longínquos e mesmo próximos antepassados. E por que se deveria tal discriminação, uma vez que umas e outras almas foram criadas para o mesmo fim, o Céu ou o Inferno? Onde estariam, assim, a equanimidade e a justiça divinas nestes casos? Não é Ele (Deus), o Dono da Sabedoria suprema e imutável? Ora, se a justiça e a sabedoria de Deus são imutáveis, por que houve tal mudança, então?
No entanto, do ponto de vista em que se admita a progressividade do Espírito, através de sucessivas vivências na corporeidade, amealhando este os conhecimentos e as experiências que o vão enriquecendo gradativamente, aí, sim, o progresso social do homem se justifica, sem que se possa inculpar o Criador pelas brutais diferenças entre os atuais habitantes da Terra e seus ancestrais.
Deixo, pois, o convite a uma análise lógica, entre este último raciocínio e a crença dogmática que nos tem sido imposta até aqui pelas Autoridades Teológicas, que se pretendem inequívocas e absolutamente inquestionáveis. Comparem-se uma e outra e veja-se qual das duas teorias é a mais racional, a mais razoável. Os tempos são chegados, sim, de pensarmos, pensarmos e... pensarmos. Não mais podemos aceitar que nos obriguem a crer em algo que não resista ao crivo da razão. ///
NOTA: Este texto foi construído por mim com base no texto de Allan Kardec, do capítulo XI, item 38, do livro A GÊNESE. Nesse texto Kardec versa sobre a "Raça adâmica".
E você sabia que o nome "Adão", do vocábulo hebraico "haadam", significa "homem", no sentido geral (de humanidade)?
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