"(...); mesmo que eu tenha tamanha fé ao ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade / se não tiver amor, nada serei" - Paulo (I Cor. 13: 2).
O texto completo, do versículo 1 ao 13, do capítulo 13 da primeira epístola enviada pelo apóstolo Paulo ao Coríntios, creio que já é por demais conhecido de todos. Na tradução bíblica de João Ferreira de Almeida - revista e atualizada, este texto tem por título "O amor é o dom supremo", enquanto na tradução do Centro Bíblico Católico de São Paulo, o mesmo se acha intitulado como "A excelência da caridade". E onde numa aparece a palavra chave "amor", na outra a mesma aparece como "caridade".
Isto vem reforçar o que desde muitos anos tenho pensado e afirmado, que "amor sem caridade não é amor, assim como caridade sem amor não é caridade". Um não subsiste sem a outra e vice-versa.
Assim sendo, diante de um mundo tão conturbado, este em que atualmente vivemos, não há outra salvação senão a prática da caridade, que é o amor ao próximo, nos mínimos atos do nosso cotidiano, a que devemos exortar-nos mutuamente, começando por exemplificarmos, nós mesmos, diante dos outros, com comportamentos e atitudes que desejamos e esperamos que tenham para conosco.
Vejamos agora o que, de fato, é a caridade, ou o que esta representa para os espíritas, já que bem sabemos que alguns críticos da Doutrina interpretam a caridade espírita de uma maneira bastante equivocada, achando que nos atemos à prática de dar esmolas ou ajudar os necessitados materiais, ou, ainda, segundo alguns, à do assistencialismo aos espíritos sofredores, em nossas reuniões mediúnicas.
De acordo com o que tenho aprendido em décadas de estudos do Espiritismo, a caridade engloba uma série de atividades e atitudes, as quais nos são solicitadas naturalmente no nosso dia-a-dia, no nosso convívio em sociedade. Aprendi também que o exercício da caridade nada tem a ver com ações meramente de cunho religioso, mas que se trata de um dever de consciência, podendo-se dizer um dever social e cívico, um dever de humanidade.
Nesta prática, posso começar pelos deveres profissionais e do lar, visando o bem estar do outro ou outros à minha volta. Cortesia, gentileza, delicadeza, gratidão, fazem parte da caridade em ação, quando atendo alguém ou sou atendido, quando presto um serviço ou sou servido, quando faço uma compra ou vendo algo a alguém, etc. Honestidade e sinceridade no agir e no falar, com tato e boas maneiras, também são peças indispensáveis na prática do amor ao próximo, devendo estar presentes em todos os relacionamentos diários, sejam eles estáveis ou fortuitos.
Mas a lista de atitudes que denotam caridade não pára por aí; inclui também a prevenção contra qualquer dano físico ou material que outras pessoas, mesmo nossas desconhecidas, possam vir a sofrer. Uma vez que eu constate qualquer tipo de obstáculo ou situação que possa ser uma ameaça à integridade física ou moral alheia, que possa vir a ferir ou causar perda a alguém, minha ação no sentido de evitar que isto realmente aconteça deve ser imediata, efetiva, seja ela um simples alerta verbal ou uma providência mais complicada, porém indispensável.
Há coisas ainda mais simples, que também não podem faltar nesta lista, como um sorriso ou uma boa palavra, que podem dirimir ou minimizar a tristeza de alguém, a solidão, a dúvida, a desesperança, o desânimo, etc.
Orar por alguém que passe por situação difícil, a quem não temos como ajudar mais direta e eficazmente, também constitui um ato de caridade, desde que realmente estejamos interessados em ver essa pessoa livre da situação que lhe causa sofrimento ou aborrecimento.
Em outras palavras, caridade é servir, é respeitar, é compreender, é perdoar, é ser solidário, é proteger, é, enfim, fazer ao outro o que o outro espera, ou melhor, precisa realmente que se lhe faça.
Estes são os verdadeiros significados da palavra "caridade", tanto para o apóstolo Paulo, como ele deixa bem claro no texto de sua carta aos cristãos de Corinto, quanto para nós, espíritas, segundo os ensinamentos que recebemos da Doutrina, os quais nos remetem exatamente a esse texto apostólico.
O planeta Terra está, pois, precisando, com a máxima urgência, que a verdadeira caridade impere nos corações de todos os seus habitantes, para que ele se torne um paraíso abençoado para todos nós. Contudo, se não podemos mudar as atitudes dos outros, podemos e devemos mudar as nossas próprias atitudes, o que já será um ótimo começo.
Pensemos nisto. ///
Evoti Leal (evoti.leal@hotmail.com)
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