terça-feira, 15 de julho de 2014

1. O ESPÍRITA PERANTE A BÍBLIA

       Em face da Bíblia, um conjunto de escrituras considerado como o LIVRO SAGRADO das religiões ocidentais, há duas classes de cristãos: a daqueles que assentam suas crenças e doutrinas integralmente nos escritos bíblicos e a dos que veem a Bíblia apenas como um conjunto de livros de valor histórico indiscutível, mas que nem tudo aceitam ou interpretam ao pé da letra do que nela está grafado.
     Para estes últimos, é como se a Bíblia fosse um livro de contos infantis, os quais revelassem importantes mensagens de teor moral, inclusive de grande proveito para leitores adultos, mas de onde estes devessem extrair a essência educativa, desprezando a fantasia destinada ao entendimento limitado do público mirim.
       A este segundo grupo é que pertencem os espíritas. Não significa que eles não aceitem absolutamente nada do que está escrito no também chamado "Livro dos livros". Antes, porém, deve-se esclarecer que, ao examiná-lo, retiram de suas páginas o que há de realmente proveitoso, porquanto há partes, principalmente no chamado Velho Testamento, que chegam a constituir um contra-senso inadmissível, mormente quando comparadas aos ensinamentos do Cristo, constantes do Novo Testamento, a que todo cristão deveria de fato dar maior importância, mas que nem sempre o faz.
      Nós, espíritas, diante dessa visão, ao contrário dos cristãos tradicionais (católicos e evangélicos), recusamo-nos a nomear a Bíblia como a "Palavra de Deus", como costumam estes denominá-la.
       Começa que, entre outras coisas, algumas consideráveis até como tremendos absurdos, ou  terríveis barbaridades, achamos impossível e profundamente incoerente que o próprio Criador do Universo (de centenas de milhares de bilhões de galáxias) tenha vindo, "em pessoa", falar com os profetas de outrora, menos ainda para transmitir-lhes ordens para matar inocentes, sem qualquer resquício de piedade, como consta da história dos hebreus, chamados "povo de Deus".
        Não nos cabe à mente, senão como uma visualização humana, limitada pela falta do necessário advento e posterior desenvolvimento da Ciência, a teoria genética de Moisés, em que Deus teria criado o Universo galáctico e o próprio astro solar que rege o nosso sistema orbital, tudo em função da Terra, nosso minúsculo planeta, e não o contrário. A maioria dos cristãos persiste em considerar o nosso como o único orbe habitável por seres inteligentes, ou seja, da espécie humana, em toda esta imensidão infinita a perder-se de vista e mesmo do alcance dos nossos mais potentes equipamentos de sondagem espacial.
       Também não há como aceitarmos de bom grado e de sã consciência a decantada divindade de um Ser tão caprichoso, ciumento, intolerante e perverso, quanto se nos afigura o "Deus de Israel", concebido pelo grande escritor e legislador hebreu, na medida exata das necessidades pontuais de sua liderança sobre aquele povo ainda rude e desorganizado, quando Jesus nos oferece a paternidade de um Ser magnânimo, verdadeiramente justo, amoroso, imparcial e pleno de misericórdia, num momento em que já possuímos idade espiritual suficiente para entendermos os recados divinos com uma maior clareza e sem tantas e tão grosseiras alegorias, quantas foram engendradas pelos escritores bíblicos no passado longínquo.
      Nós, espíritas, desapegamos-nos, portanto, da letra morta da Bíblia, para nos apegarmos aos ensinamentos sábios e verdadeiramente redentores do Cristo. E não se trata, em absoluto, de nos acharmos alçados a qualquer grau de superioridade perante os nossos companheiros de outras crenças. Trata-se apenas de estarmos mais abertos às recomendações de Jesus, assim como às dos Espíritos mensageiros, que hão vindo atualmente, em Seu Nome, esclarecer-nos sobre diversos pontos que ainda jaziam obscuros aos tempos das novas Escrituras bíblicas. Se algo temos a comemorar, é o fato de estarmos aproveitando esta valiosíssima oportunidade, que se estende a todos, de acelerar o crescimento interior, ou seja, a evolução espiritual, que fatalmente ocorrerá em cada indivíduo, porquanto esta é a nossa destinação enquanto cidadãos do Universo e da Eternidade, que somos. Só não podemos olvidar que as responsabilidades pessoais aumentam na mesma proporção dos conhecimentos adquiridos, a cada etapa do nosso aprendizado. "Mais se pedirá àquele a quem mais houver sido dado",  conforme está escrito. ///
     
       

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