Deixando de lado a parte mais complicada e polêmica do tema, que seria falarmos da morte dos animais, já que são seres vivos com características bem próximas às dos humanos, mas que nada fazem para merecerem tal impositivo, desde que se considere a morte como um castigo divino ou uma produção satânica, e sem falarmos também nas plantas, que igualmente vivem e morrem, passemos de pronto à exploração dos prováveis destinos do Espírito, ou Alma, da criatura humana, uma vez que, espiritualistas que somos, não podemos mais ver o homem sem este seu componente natural.
De acordo com todas as correntes cristãs, é ele, o Espírito, o elemento dotado de inteligência, capacidade de discernimento, vontade e livre-arbítrio, destinado a permanecer vivo, ou seja, a sobreviver por toda a eternidade, após a falência do seu instrumento orgânico de manifestação neste mundo das formas físicas.
A "briga" entre as instituições doutrinárias mais tradicionais do Cristianismo é no sentido de determinar com quem está a verdade "verdadeira", já que todas elas "bebem" da mesma fonte, a "Palavra de Deus", mas divergem entre si quanto à destinação dos Espíritos, no tempo e no espaço, como veremos a seguir.
Umas acreditam que, depois de uma breve e única existência corpórea, a que teve direito na face da Terra, o Espírito terá apenas duas opções: o Céu, ou o Inferno. O Céu é um lugar de prazer perene, enquanto o Inferno o é de sofrimento intraduzível e igualmente infindo.
Outras, asseguram que há ainda uma terceira localização geográfica invisível, uma espécie de estação intermediária e provisória, onde o Espíritos menos comprometidos com pecados graves estagiam por algum tempo, a fim de se regenerarem e poderem então ser conduzidos ao Céu. A essa estação deu-se o nome de Purgatório, por referir-se a um lugar de purgação das mazelas das almas pecaminosas, que ainda poderão vir a ser salvas, por meio, principalmente, das orações feitas em seu favor.
Para alguns segmentos, esses destinos se cumprem imediatamente ao falecimento do corpo. Para outros, os Espíritos dormem um sono profundo, totalmente inconscientes, do qual serão despertos no dia da ressurreição coletiva para o grande e pavoroso Julgamento Final, em que alguns receberão o salvo conduto celeste, sendo que outros, em maior número, ao que parece, terão a sentença condenatória, inapelavelmente.
No entanto, há ainda um terceiro grupo de cristãos bíblicos, que preconizam algo mais concreto para os justos e mais ameno para os ímpios. Os primeiros serão ressuscitados em carne para habitarem o paraíso em que se transformará a própria Terra; os "mais ou menos", nem tão justos, nem tão ímpios, ressurgirão ao lado daqueles e receberão deles o auxílio fraterno a fim de se regenerarem e permanecerem para sempre entre os mesmos, gozando da paz e da alegria de viver neste mundo transformado; já os últimos, contados entre os perversos irrecuperáveis e os desobedientes inveterados, estes sofrerão a segunda morte, que significa simplesmente deixar de existir, o que parece ser uma medida muito mais afinada com a decantada misericórdia divina, do que a ideia de um Deus que está disposto a empurrar os seus filhos rebeldes para dentro de um lago de fogo e enxofre inextinguíveis, a fim de causar-lhes os mais terríveis e inimagináveis sofrimentos, por toda a eternidade.
A par dessas teorias, ainda há a questão do merecimento de cada um, ou da graça divina a recair sobre alguns, que trataremos no próximo capítulo.
Nós, espíritas, cremos na continuidade da vida, com a preservação da consciência individual, em outra dimensão energética, aqui mesmo na Terra ou no Espaço interplanetário, com atividades e movimentação intensas e incessantes. Cremos, outrossim, que os Espíritos interagem entre si e com os seus afins que permanecem por mais tempo na crosta material, isto é, no plano mais sólido e palpável do nosso Planeta.
Isto implica crermos também na pré-existência do Espírito a esta sua incursão neste mundo, assim como o seu futuro retorno, posto que, na visão espírita, trata-se de um ser evolutivo, no sentido intelecto-moral, que necessita de variadas experiências no campo da matéria, vislumbrando assim o seu aperfeiçoamento e a sua purificação espiritual.
A morte, para nós, significa apenas uma passagem de um estágio para outro da vida, que é eterna, até que cada Espírito, de per si, ao longo dos seus avatares, alcance o ápice da perfeição relativa, porquanto a Perfeição absoluta só a possui o Criador do Universo, ao nosso juízo, imensurável, inimaginável, inatingível e insondável. ///
Nenhum comentário:
Postar um comentário