quinta-feira, 17 de julho de 2014

2. EXPLICANDO A MORTE

       Segundo a Teologia bíblica, a morte entrou na vida do homem por intermédio do pecado. E o pecador foi ninguém menos que Adão, apontado pelo historiador da gênese planetária e humana na Bíblia, Moisés, como o primeiro homem criado e posto por Deus para viver sobre a face da Terra, tendo por companheira e cúmplice a mulher, dele mesmo gerada, chamada Eva. Mas o mais interessante nesta história é que a terrível condenação à morte física, por conta de um inocente pecado de desobediência a uma ordem expressa de Deus, estendeu-se a todas as gerações futuras, sem qualquer grau de recurso possível.
       Alguns segmentos religiosos chegam a pregar que o grande artífice da morte é, na verdade, o Diabo, Inimigo número um de Deus, e que, portanto, devemos odiar a morte e jamais aceitar a ideia de que seja ela uma determinação de Deus contra as suas criaturas. Nesse caso, Deus teria apenas advertido o casal paraisense sobre as consequências que lhes adviriam se comessem do fruto da "árvore do conhecimento do bem e do mal". E estes, infelizmente, não Lhe deram ouvidos e o comeram.
       Para muitos crentes, diante do resultado da desobediência de Adão e Eva, configurado na sentença de morte inevitável para toda a espécie humana, Deus providenciou uma forma de resgate, a fim de propiciar a salvação de todos os herdeiros do pecado original, na pessoa de seu Filho unigênito, Jesus. Ele viria, então, com a missão de levar sobre si todas as nossas faltas, derramando o seu sangue de justo em um santo sacrifício, por todos aqueles que o aceitassem como salvador, a fim de serem perdoados e limpos para poderem gozar, no futuro, da vida eterna a que desde o início foram destinados.
       O mais desanimador, no entanto, é quando vemos alguns líderes religiosos imputando como castigo divino, por conta de supostos pecados pontuais, cometidos pelos nossos contemporâneos, alguns tipos específicos de morte. Por exemplo: a morte de uma pessoa ou de um grupo de indivíduos em acidente ou evento trágico. É muito comum ouvirem-se comentários maliciosos neste sentido quando uma comunidade inteira ou um grande grupo de pessoas é vitimada por uma catástrofe natural, como um terremoto, um tsuname, uma enchente, um furacão, um vulcão, um incêndio de grandes proporções ou mesmo um acidente aéreo, ferroviário ou náutico, dos quais geralmente poucos são os que escapam com vida, sendo isto computado por milagre, ou seja, pela intervenção da mão divina, dado o merecimento pessoal ou algum propósito especial de Deus para com os mesmos.
       Nós, espíritas, não comungamos com nenhuma dessas teorias ou crenças, todas elas, ao nosso ver, desconectadas da razão e do bom-senso, além de contrárias ao verdadeiro sentido de Justiça, atributo indispensável à Divindade Criadora.
       Entendemos que a morte, isto é, a desagregação de toda e qualquer organização física, a partir do desajuste das células, moléculas e átomos que compõem os chamados corpos orgânicos, faz parte de um processo natural, sob a regência de Leis sábias, justas e imutáveis, uma das quais é exatamente a Lei do Progresso, a que Tudo está sujeito em todos os confins do Universo.
       Plantas, animais e pessoas nascem, desenvolvem-se e morrem. 
      Ora, as plantas e os animais não pecam nem nunca pecaram, mas também morrem. E assim como umas e outros, de acordo com suas próprias espécies, as pessoas têm um tempo pré-determinado de existência corpórea, podendo esse tempo ser mais ou menos elástico, assim como, em muitos casos, ser abreviado, por variados motivos e em diferentes circunstâncias.
     A morte ou a aparente destruição de qualquer corpo constituído de matéria orgânica resulta na transformação dos seus elementos componentes, através de novas combinações com outros elementos da natureza, indo compor outros diferentes corpos, conforme nos asseguram as mais avançadas pesquisas científicas já realizadas, seja no campo da Biologia, da Química ou da Geologia, entre outros. Já o conhecido cientista assim asseverou: "Na Natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma".
         Mas é preciso ainda que definamos o ser humano, diferentemente das plantas e dos animais, como um ser formado de dupla essência: matéria e espírito. Este, sim, o espírito, é que foi criado "à imagem e semelhança de Deus", ou seja, com o atributo da eternidade. Se a matéria é e sempre foi perecível, ou, se o quisermos dizer melhor, transmutável, o Espírito não o é. Este, dotado de inteligência e vontade, contando ainda com o livre-arbítrio, é único, pessoal, individual, e, para nós, espíritas, sujeito à lei do progresso moral.
       O assunto é amplo e sugere façamos aqui uma breve pausa, retornando a ele num próximo momento, a fim de compararmos as crenças e teorias sobre a destinação do Espírito, após a morte do corpo físico em que habitou na sua brevíssima passagem pelo solo terreno. Fiquemos, por ora, a refletir nesta importante parte da questão, que costumo considerar das mais empolgantes. 
       Um abraço fraterno aos leitores e um carinhoso até breve. ///
       
        
     

Nenhum comentário:

Postar um comentário